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Actualizado às 12:40 PM, Oct 22, 2019

Star Wars: The Rise of Skywalker | novo poster

Foi revelado um novo poster de STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER, da LucasFilm. O lançamento aconteceu durante o evento D23 Expo, o maior evento do mundo para fãs da Disney, na Califórnia, fazendo as delícias dos fãs da saga STAR WARS.

O derradeiro final da saga Skywalker volta a contar com Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Domhnall Gleeson, Kelly Marie Tran, Joonas Suotamo e Billie Lourd. Naomi Ackie e Richard E. Grant serão as novas adesões, que se irão juntar aos atores veteranos da saga Star Wars Mark Hamill, Anthony Daniels e Billy Dee Williams, que voltará a ser Lando Calrissian. O papel de Leia Organa será mais uma vez desempenhado por Carrie Fisher, recorrendo a imagens nunca antes vistas de “Star Wars: O Despertar da Força”.

Com produção de Kathleen Kennedy, J.J. Abrams, e Michelle Rejwan, com Callum Greene e Jason McGatlin enquanto produtores executivos, STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER estreia a 19 de dezembro de 2019.

Fonte: Disney

Star Wars: The Rise of Skywalker - antevisão

Star Wars é, indubitavelmente, uma das sagas mais famosas e bem-sucedidas da História do Cinema. Em 2015, com o lançamento de «Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força», houve um renascimento do franchise, iniciando-se uma nova trilogia. J.J. Abrams regressa agora para terminá-la, após «Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi» (2017), realizado por Rian Johnson, uma obra que recebeu opiniões mistas por parte do público e crítica, mas que foi um retumbante sucesso nas bilheteiras, arrecadando mais de mil milhões de dólares em todo o mundo. Pelo meio, foram ainda lançados «Rogue One: Uma História de Star Wars» (2016) e «Han Solo: Uma História de Star Wars» (2018), prequelas da trilogia original da saga. O último acabou por ser um flop e deixar muitas dúvidas quanto às possibilidades de novos filmes spin-off.

Abrams regressa, assim, com a tarefa de encerrar de forma épica o último capítulo de Star Wars, após Colin Trevorrow ter saído do projeto ainda antes do início da produção. Oscar Isaac, um dos protagonistas do filme, revela que o ambiente nos estúdios “está mais livre. As pessoas continuam a encarar o trabalho de forma séria, mas há muita diversão. Penso que a energia vai traduzir-se num filme realmente fantástico”.

«Star Wars: Episode IX» irá passar-se um ano após dos acontecimentos do filme anterior e voltará a dar palco ao sangue novo da saga, com Rey, Rylo Ken e Finn a assumirem o protagonismo. Os personagens são interpretados, respetivamente, por Daisy Ridley, Adam Driver e John Boyega, num elenco do qual fazem também parte Anthony Daniels, Domhnall Gleeson, Lupita Nyong’o ou Kelly Marie Tran, além de serem usadas imagens de Carrie Fisher, que faleceu em 2016 e que interpretava Leia Organa, a princesa que se tinha tornado numa das líderes da Resistência. De destacar, ainda, a introdução de novos e renomados atores, como Richard E. Grant e Matt Smith, além do regresso de Billy Dee Williams no papel do icónico Lando Calrissian.

História: Chega ao fim a saga Skywalker, numa narrativa marcada por mais um embate entre Império e Resistência.
Realizador: J.J. Abrams («Missão Impossível 3», 2006, «Star Trek», 2009; «Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força», 2015)
Elenco: Daisy Ridley, Adam Driver, Oscar Isaac, John Boyega, Domhnall Gleeson
Data de estreia prevista: 19 de dezembro

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O desaparecimento de "Star Wars"

Que está a acontecer com os primeiros filmes da saga "Star Wars", em particular o título fundador, lançado em 1977? Pois bem, num certo sentido, estão a desaparecer: as sucessivas intervenções digitais, apagando ou acrescentando elementos das imagens (e da banda sonora), modificaram muitas cenas das primeiras três longas-metragens (episódios IV, V e VI):
— A Guerra Das Estrelas (1977)
— O Império Contra-Ataca (1980)
— O Regresso de Jedi (1983)

De tal modo que há fãs da saga que, em nome da preservação das características dos originais, se empenham em reconstituir as versões com que os filmes foram lançados nas salas (antes das modificações "impostas" pelas edições em DVD e Blu-ray). O assunto é tanto mais interessante quanto reflecte as perplexidades inerentes a qualquer processo de preservação e restauro do património cinematográfico — neste caso, aliás, com a contribuição contraditória do próprio George Lucas que autorizou tais intervenções depois de, nos anos 80, ter condenado com veemência a "colorização" de clássicos de Hollywood.
O jornal Le Monde fez um esclarecedor ponto da situação — eis o respectivo video, sob o mote: "Porque já não é possível ver a primeira trilogia na sua versão original".

Star Wars: os herdeiros de Darth Vader somos nós

«Star Wars: Os Últimos Jedi» (2017) promete não ser um filme consensual, mas é um ‘mal’ necessário numa saga em renovação. A Galáxia é a mesma, sim, só que este é um mundo novo.

A saga de Star Wars continua a sua procura incessante pelo herdeiro do icónico vilão Darth Vader, mas o seu maior erro é insistir em procurá-lo no grande ecrã. Os herdeiros da personagem – com a inesquecível voz de James Earl Jones – estão sentados na sala de cinema. Ou do outro lado do ecrã a ler este artigo. Somos nós, espectadores, fãs de Star Wars e do seu legado, que continuamos a esperar que um novo vilão se levante com firmeza para desafiar a Força. À altura de Darth Vader. E, por mais que os ‘candidatos’ se passeiem à nossa frente, trocamos olhares insuspeitos e soltamos gargalhadas quando Kylo Ren (Adam Driver) lá mete mais uma alfinetada malsucedida. O problema de Kylo Ren é simples: não o tememos.

A construção do malfadado vilão é penalizada sobretudo em dois momentos: no argumento, que o apresenta como um instrumento para servir uma finalidade e, assim, transborda numa personalidade superficial; e nos epílogos da ação, alguns furos abaixo daquilo que foi feito por outras figuras impiedosas da saga. O próprio Adam Driver, que esteve genericamente bem no episódio sete, parece aqui um holograma de si mesmo – uma espécia de pessoa presente-ausente e teimosamente inconsequente. Mesmo quando acerta com a narrativa, e assim define o rumo que a nova trilogia vai tomar, Kylo Ren assume-se como um mecanismo para encaixar o filme na sua conclusão, que abrirá portas ao episódio nove, teimando em camuflar a sua individualidade enquanto personagem.

star wars last 3

Não há algo que defina o rumo. É este que, sendo incontornável, força as atitudes das personagens: não acontece por consequência da interação em cena, mas são elas que interagem para o tornarem possível. Se um construtor preparar primeiro o início e o final do percurso que se propõe a concretizar, corre o risco de, ao aproximar-se da reta final, ter de ‘aldrabar’ os caminhos para acertar com aquilo que planeou. É esta a sensação que fica depois de se ver «Star Wars: Os Últimos Jedi» (2017). Assim como no caso do vilão, exigia-se, ou devia exigir-se, mais, mas este é principalmente um problema da forma como a história nos é apresentada, e não tanto da construção imagética e sonora em que mergulhamos em mais de duas horas e meia de filme. Estamos perante uma experiência cinematográfica provavelmente inigualável, mas somos ‘adormecidos’, a espaços, pelas storylines secundárias, que se multiplicam e terminam demasiado rápido.

Ainda é cedo para perceber, factualmente, como os espectadores vão reagir às opções narrativas tomadas por «Star Wars: Os Últimos Jedi» (2017), que estreia amanhã, 14, nos cinemas. O hype é inevitável, bem o sabemos, mas com ele carrega expetativas a que é difícil corresponder. Rian Johnson, que realiza e assina o argumento, é ambicioso, só que deixa transparecer em demasia que está ‘verde’ para estas andanças. Trata-se, afinal, da quarta longa-metragem da carreira, encetada com o independente «Brick» (2005), ao qual se seguiram «Os Irmãos Bloom» (2008) e «Looper – Reflexo Assassino» (2012), com três episódios de «Breaking Bad» pelo meio. Para saborear totalmente esta incursão assinada por ele, que vem de um universo bem mais ‘light’, é preciso desprendermo-nos um pouco da nostalgia que ainda nos liga aos mágicos anos 70. O que nem sempre é fácil, nomeadamente quando há um ritmo mais suave, desprendido e os acontecimentos são em maior quantidade e mais efémeros. Não é à velocidade da luz, mas quase.

star wars last 1

A fraqueza, sempre ela, para equilibrar a força

“Luz. Escuridão. Um equilíbrio”. “É bem maior do que isso”. O diálogo, aparentemente simples, reúne em si a ideia central de «Star Wars: Os Últimos Jedi» (2017) e, consequentemente, a de toda a franquia. Assim como cada moeda tem dois lados, também o Bem coexiste sempre com o Mal, num (des)equilíbrio permanente, sendo pelas escolhas que se percebe onde mora cada um dos personagens de Star Wars. Mas isto nem sempre é claro. Foi, aliás, deste conflito interior que nasceu um dos vilões mais emblemáticos da história do cinema: Darth Vader. E é também por isso que, na nova trilogia, se instalou uma certa desconfiança acerca de Luke Skywalker (Mark Hamill).
O final de «Star Wars: O Despertar da Força» (2015) colocou Rey (Daisy Ridley) na presença de Luke, deixando os fãs na antecipação do que os esperava. Parte da esperança da Rebelião sempre residiu nos Jedi, desde os primórdios da saga, pelo que é inevitável encontrarmo-nos, uma vez mais, neste lugar-comum. Rey não sabe ao certo de onde vem – são muitas as teorias acerca dos seus pais –, mas sabe para onde vai, e quer levar Luke consigo. Sem Han Solo (Harrison Ford) em jogo, e com Leia (Carrie Fisher) fragilizada, resta às novas personagens – introduzidas em 2015 –, como Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac), reclamar para si parte da responsabilidade. Em contrapartida, e como o Bem é acompanhado do Mal, também a Primeira Ordem tenta exterminar a pouca Resistência que ainda encontra, de forma a ser bem-sucedida onde Vader falhou.

Por mais que os diferentes envolvidos apregoem o poder da Força, este é um filme que prioritiza as fraquezas, decorrentes muitas vezes das escolhas – ou da necessidade de escolher – das personagens. Star Wars pode estar a anos-luz de distância, mas colide, como qualquer um de nós, na inevitabilidade do ser humano fazer asneiras. Vimo-los na primeira e segunda trilogias, e vemos isso novamente com estrondo em «Star Wars: Os Últimos Jedi» (2017). É na sequência de todos os pontos fracos que a Força se torna mais urgente, quer como sinal de esperança, quer como resposta a situações de verdadeira calamidade. Da mesma forma, também este filme mais ‘low profile’, que estabelece uma narrativa próxima de «Star Wars: O Império Contra-Ataca» (1980), é uma ponte essencial ao equilíbrio entre o episódio sete e o nove.

Deste modo, e também pelo que representa, este não é um filme mau. Não sendo um filme genial, «Star Wars: Os Últimos Jedi» (2017) é um ‘mal’ necessário para a continuidade da saga e, como se esperava, deixa as cartas em cima da mesa para o final da presente trilogia, anunciado para 2019. Para que o ciclo permaneça em movimento, e se renove, é preciso que o passado dê lugar ao futuro – sobretudo com o falecimento de Carrie Fisher, a eterna princesa Leia, em dezembro de 2016. O ponto final – que anuncia uma nova era – está, desde logo, explanado no título do oitavo episódio – Os Últimos Jedi –, ainda que reúna pistas indecifráveis à partida e que, apesar da previsibilidade, deixam sempre algum espaço a mais um ‘twist’. Enquanto muitos contam os dias que faltam para o Natal, outros já tornaram o mês de dezembro uma época festiva geek. Os estúdios agradecem.

Star Wars: The Last Jedi

Desde que «Star Wars: O Despertar da Força» foi lançado em 2015 que podemos esperar no final do ano uma nova obra da saga galáctica. Em 2016 foi a vez da primeira prequela, «Rogue One: Uma História de Star Wars», uma aposta arriscada mas bem-sucedida. Todavia, os fãs aguardam mesmo é pela continuação das aventuras de Rey e Finn, personagens que ficaram a conhecer em «Star Wars: O Despertar da Força» e que já ganharam um lugar especial na antologia de personagens da série. «Star Wars: The Last Jedi» tem, logo à partida, um título particularmente apelativo e intrigante, tal como as várias questões que assolam este novo filme: O que fez com que Kylo Ren se virasse para o lado negro da força, sendo ele filho de dois heróis da Aliança Rebelde? Afinal de contas, o que aconteceu a Luke para se tornar num eremita? Quem são os pais de Rey? E, claro, quem é o último Jedi a que se refere o título?

Rian Johnson estreia-se na realização de um filme Star Wars, assinando também o argumento, neste que é o grande desafio da sua carreira, da qual faz parte o filme «Looper - Reflexo Assassino» (2012). O cineasta refere que esta nova obra será “divertida” e não tão sombria, em que Luke Skywalker terá um papel muito mais ativo. Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver, Oscar Isaac, Domhnall Gleeson, Andy Serkis, Lupita Nyong’o e Andy Serkis compõem o elenco vistoso que está de regresso, neste que será o último filme com a participação de Carrie Fisher enquanto Princesa Leia. Há também lugar para novos personagens, interpretados por Benicio del Toro e Laura Dern. J.J. Abrams, realizador do episódio anterior da saga, assume aqui o papel de produtor-executivo, num filme que contará com a banda-sonora assinada por John Williams, nomeado por 50 vezes (!) para os Óscares, tendo levado 5 galardões para casa, um deles graças, justamente, ao seu trabalho em «Star Wars: Episódio IV» (1977).

História: Rey (Daisy Ridley) continua a sua jornada na companhia de Finn (John Boyega), Poe (Oscar Isaac) e Luke Skywalker (Mark Hamill). Entretanto, Kylo Ren (Adam Driver) continua à espreita...
Realizador: Rian Johnson («Os Irmãos Bloom», 2008; «Looper - Reflexo Assassino», 2012)
Elenco: Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill
Data de estreia prevista: 14 de dezembro (EUA)

star wars the last jedi teaser poster

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«Han Solo» - Nova história Star Wars

O início de produção do filme untitled Han Solo Star Wars Story, que conta o passado de aventura do icónico contrabandista e do wookiee favorito de toda a gente, teve início oficialmente no dia 20 de fevereiro, nos Pinewood Studios, em Londres.

O filme vai explorar as aventuras da dupla antes dos eventos de Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança, incluindo os seus primeiros encontros com outro jogador sem regras, de uma galáxia muito, muito distante, Lando Calrissian.

Phil Lord e Christopher Miller são os realizadores do filme, com um elenco que inclui Alden Ehrenreich como Han Solo, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Donald Glover como Lando Calrissian, Thandie Newton, Phoebe Waller-Bridge e Joonas Suotamo como Chewbacca.

"Ver pessoas tão inspiradoras de todo o mundo, com vozes únicas, a unirem-se com o único propósito de fazer arte, é milagroso", afirmaram Lord e Miller. "Não podemos pensar em nada engraçado para dizer, porque nos sentimos mesmo emocionados e muito sortudos."

Escrito por Lawrence e Jon Kasdan, o filme será produzido por Kathleen Kennedy, Allison Shearmur, Simon Emanuel e co-produzido por Kiri Hart, Susan Towner e Will Allegra. Lawrence Kasdan e Jason McGatlin serão os produtores executivos.

A equipa contará com alguns dos melhores talentos da indústria, incluindo o nomeado ao Prémio da Academia pelo seu trabalho em "O Primeiro Encontro", Bradford Young (Diretor de Fotografia), Chris Dickens (Editor), Dominic Tuohy (Supervisor de Efeitos Sonoros), Rob Bredow (Supervisor de Efeitos Visuais) e Brad Allan (Designer de Ação).

Estes novos elementos, irão juntar-se à equipa de veteranos de Star Wars, como: Neal Scanlan (Supervisor Criativo de Criaturas e Droides), Neil Lamont (Designer de Produção), Dave Crossman e Glyn Dillon (Co-Figurinistas), Jamie Wilkinson (Cenógrafo), Lisa Tomblin (Cabeleireira), Amanda Knight (Maquilhagem) e Nina Gold (Diretora de Casting do Reino Unido).

A história untitled Han Solo Star Wars Story tem estreia prevista para Maio de 2018.

"Star Wars" na casa do Rato Mickey

Chegou mais um título com a marca Star Wars, agora integrada nos estúdios Disney — este texto foi publicado no Diário de Notícias (15 Dezembro), com o título 'Aventuras do Rato Mickey'.

A saga da Guerra das Estrelas é um daqueles fenómenos que, como é hábito dizer-se, possui uma legião de fãs... Ora, tal facto pode alimentar muitas secções de curiosidades, mas pouco nos diz sobre um tema realmente interessante. A saber: neste, como noutros fenómenos, como encarar a pluralidade do público?

Que está, então, a acontecer? Algo de estranhamente paradoxal. O episódio VII, O Despertar da Força (2015), realizado por J. J. Abrams, era um objecto enérgico, capaz de relançar algumas matrizes mitológicas de George Lucas e, em particular, criar uma verdadeira personagem dramática, Rey, interpretada por uma notável actriz inglesa, de seu nome Daisy Ridley.

Agora, em Rogue One, repete-se a celebração de uma figura feminina, Jyn Erso, esforçadamente assumida por Felicity Jones, mas a actriz não tem nada de suficientemente denso para defender. Prevalece, assim, uma antologia de “situações” (incluindo o longuíssimo e monótono combate que ocupa o núcleo do filme) que se confundem com variações menores de banal jogo de vídeo, de tal modo privilegiam a “agitação” visual contra a intensidade do drama.

Lembremos, por isso, que há já uma ou duas gerações de espectadores cuja visão (do espectáculo, precisamente) foi formada pelos jogos de vídeo. Não é um problema de maior ou menor inteligência, mas sim algo que envolve um complexo factor identitário: a disponibilidade do olhar. Não se pode esperar, por exemplo, que um espectador “apenas” formado por tais parâmetros visuais e narrativos se interesse (por si só) pela vertigem perturbante de Lágrimas e Suspiros (1972), de Ingmar Bergman...

Agora que a saga pertence ao império Disney, será que o estúdio do Rato Mickey corre o risco de tornar asséptico aquilo que era já um capítulo à parte na história da cultura popular? A requintada concepção de alguns cenários e, sobretudo, o esforço do compositor Michael Giacchino no sentido de assumir a herança de John Williams são factores relevantes [audio: The Imperial Suite]. Resta saber se alguém se esqueceu que o elemento mais visceral da herança de Lucas é o gosto de contar histórias.

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«Rogue One: Uma História de Star Wars» - crítica

Num ano recheado de super-heróis, uma parafernália imensa de poderes e explosões, poderíamos dizer que as novas adições a fórmulas algo gastas nada acrescentam. Bem, nem sempre, e «Rogue One: Uma História de Star Wars» mostra-nos que tudo depende da abordagem da história e da fidelidade à essência da saga. A prequela de «Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança» (1977) conta-nos a forma como a Rebelião conseguiu roubar os planos estruturais da Estrela da Morte, essenciais para a derrota do Império, tendo Jyn Erso (Felicity Jones) como a líder pouco provável de um grupo diversificado de heróis que se une por uma causa.

Gareth Edwards, fã inveterado de Star Wars, respeita a saga, celebrando-a, numa realização que acerta, apesar de não ser muito ambiciosa (perdendo alguns pontos quando comparada, por exemplo, à de J.J. Abrams em «Star Wars: O Despertar da Força», 2015). O compositor Michael Giacchino estreia-se no franchise, assinando uma bela banda-sonora, que ajuda a contar a história e a incrementar o dramatismo de algumas cenas. Destaque ainda para a fotografia de Greig Fraser, que consegue mais um bom trabalho após «Lion – A Longa Estrada Para Casa», levando-nos numa viagem oscilante entre o desespero e a esperança, traduzindo para a tela elementos identitários da saga.

A escolha de casting é profícua em boas interpretações – Felicity Jones, Riz Ahmed e Ben Mendelsohn destacam-se – apesar de os personagens não terem grande corpulência, realçando-se K-2SO (Alan Tudyk), um dróide Imperial reprogramado que diz tudo o que lhe apetece. Além disso, há um certo desperdício de atores que poderiam ter um maior realce, como Forest Whitaker e Mads Mikkelsen. Quem dá o ar de sua graça é Darth Vader (mais uma vez com voz de James Earl Jones), o vilão supremo, numa participação de poucas cenas mas que se revelam cheias de significado e pujança. Neste sentido, os fãs irão, decerto, deliciar-se com alguns easter eggs, cameos inesperados que dão mais um charme à obra. Aliás, os fãs serão mesmo os grandes apreciadores – o filme é para eles.

«Rogue One: Uma História de Star Wars» tem um tom mais maduro e menos airoso do que qualquer outra obra da saga, consistindo mais num filme de guerra. Apesar de não conseguir suplantar-se ao recente «Star Wars: O Despertar da Força», que encerrava em si uma maior abrangência narrativa e carisma, esta tentativa de fugir da linha canónica intergaláctica é uma boa surpresa e a prova de que talvez ainda haja muitas boas histórias para contar, numa série que chegou ao Cinema há já quase quatro décadas. Afinal de contas, a Força ainda tem truques na manga.

quatro estrelas

Título Nacional Rogue One: Uma História de Star Wars Título Original Rogue One Realizador Gareth Edwards Actores Felicity Jones, Diego Luna, Alan Tudyk Origem Estados Unidos Duração 134’ Ano 2016

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