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Actualizado às 11:18 PM, Jul 17, 2018

Indie Lx - Maratona da Boca do Inferno

A maratona nocturna da Boca do Inferno regressa com filmes que prometem desassossegar todas as almas puritanas. A partir das 23h00 de Sábado, dia 6 de Maio, e durante toda a madrugada são várias as dicas úteis para anotar: como fazer locução de filmes pornográficos (Le Plombier), como disfarçar instintos homicidas (Callback), como lidar com as orgias satânicas dos vizinhos (Saatanan kanit), como comer carne humana (Grave), como amar um morto-vivo (Happy Anniversary), como viver com um grande volume entre as pernas (Halko), como usar uma besta (The Robbery) ou como fazer um strip que deixa tudo à vista (Visa allt). Venham a nós, fãs de Christopher Lloyd (Regresso ao Futuro) e de experiências limite para ver I Am Not a Serial Killer.

A secção dedicada aos filmes que marcham, sem medo, à beira do precipício, apresentará ainda uma sessão composta por curtas metragens e cinco outras longas metragens, para além das integradas na Maratona: as desventuras de Sean e as suas experiências com a alquimia satânica em mais um filme sobre personagens psicóticas de Joel Potrykus (The Alchemist Cookbook); a Free Fire, um Reservoir Dogs do nosso século assinado por Ben Wheatley; ao slasher sanguinolento sobre uma mãe que obedece aos desejos macabros e psico´ticos do seu feto (Prevenge); à libertação sexual de uma russa de meia-idade (Zoology) e aos confrontos geracionais e familiares gerados pela violência e angústia da adolescência (Home).

Maratona Boca do Inferno: Filmes

LE PLOMBIER

M. Fortunat-Rossi, X. Se´ron, 14’

HALKO

Teemu Nikki, 7’

DON’T TELL MOM

Sawako Kabuki, 3’

THE ROBBERY

Jim Cummings, 10’

CALLBACK

Carles Torras, 83'

AMEN

M. Viens, P. Lupien, 9’

STEVEN GOES TO THE PARK

Claudia Corte´s Espejo, 6’

DO NO HARM

Roseanne Liang, 12’

I AM NOT A SERIAL KILLER

Billy O'Brien, 104'

HAPPY ANNIVERSARY

Mark Kuczewski, 6’

HAPPY END

Jan Saska, 6’

VISA ALLT

Lasse Persson, 2’

SAATANAN KANIT

Teemu Niukkanen, 17’

GRAVE

Julia Ducournau, 98'

Fonte: IndieLisboa

Oasis e Sleaford Mods revistos na secção IndieMusic

Supersonic, o documentário que retrata a carreira dos Oasis, terá a sua primeira e única exibição nacional em sala no IndieLisboa em Maio. Integrado na secção IndieMusic, o filme conta a história da ascensão fulgurante dos Oasis, desde os exercícios iniciais até ao mítico concerto em Knebworth. Através do olhar de Mat Whitecross, o documentário reúne testemunhos da banda, seus familiares e todos aqueles que acompanharam o percurso do colectivo, assim como vídeos raros dos bastidores Supersonic foi produzido por Asif Kapadia e James Gay-Rees, que venceram o Óscar de Melhor Documentário com Amy, sobre a cantora Amy Winehouse, em 2016.

O Guardian descreveu-os como a “mais irritada banda britânica da actualidade” e Iggy Pop fala deles como “a maior banda de rock dos nossos tempos”. Em cinco anos, os Sleaford Mods assumiram-se como uma presença inquestionável nos tops de edições e uma das caras mais visíveis da atitude DiY do post-punk. Em Bunch of Kunst cristaliza-se a forma como o grupo tomou de assalto o mercado musical, num olhar próximo sobre a relação entre o vocalista Jason Williamson (antigo operário fabril), Andrew Fearn e o seu manager e editor Steve Underwood. Realizado por Christine Franz, o documentário estreia-se em Maio no IndieLisboa 2017 by Allianz, meses antes da passagem dos Sleaford Mods no NOS Primavera Sound e poucos tempo depois do lançamento de English Tapas, editado este mês, a 3 de Março.

IndieLisboa com mais uma sala: nove sessões do IndieMusic no Capitólio

Nove sessões da programação do IndieMusic serão exibidas no terraço do Cineteatro Capitólio/Teatro Raul Solnado. Adiciona-se, assim, mais um espaço nobre à lista de parcerias do IndieLisboa, para além dos já habituais Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e Cinema Ideal. Considerado uma das obras de referência da arquitectura modernista em Portugal, o Cineteatro Capitólio/Teatro Raul Solnado está integrado no Parque Mayer e foi inaugurado na recta final de 2016, depois de sete anos de interregno por razões de reabilitação. As sessões de cinema ao ar livre do IndieMusic terão o apoio da cerveja MUSA, que habitará o terraço do Capitólio com um bar e várias opções de cerveja artesanal para acompanhar os filmes.

Fonte: IndieLisboa

Paul Vecchiali na Cinemateca Portuguesa Herói Independente IndieLisboa 2017

O IndieLisboa e a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema apresentam a primeira retrospectiva de Paul Vecchiali em Portugal. O realizador francês é homenageado nesta 14.ª edição do IndieLisboa, juntando-se a Jem Cohen na secção Herói Independente. A obra do cineasta será revista através de uma selecção de 17 filmes. Aos 86 anos, Vecchiali acumula mais de cinco décadas de trabalho e de 50 filmes. No currículo do cineasta francês destaque ainda para a colaboração com a seminal revista Cahiers du Cinéma e o papel enquanto produtor nos filmes iniciais de Jean Eustache. Vecchiali sempre se considerou um provocador, conseguindo com a sua linguagem experimental e autobiográfica trazer novas leituras e abordagens a temas sensíveis como a sexualidade, SIDA, pena de morte e religião.

Serge Bozon chamou à célebre Diagonale, produtora nascida do coração profundamente cinéfilo de Vecchiali, a última grande escola de cinema depois da nouvelle vague. Fundada por Vecchiali em 1976, além dos filmes do cineasta, a Diagonale deu origem a obras de Marie-Claude Treilhou, Jean-Claude Guiguet e Jean-Claude Biette, deixando a sua marca na história do cinema.

O realizador, argumentista, montador, produtor e actor estará presente em Lisboa durante o festival para apresentar as sessões dos seus filmes, na Cinemateca. O IndieLisboa decorre de 3 a 14 de Maio. Os bilhetes estarão à venda a partir de 19 de Abril.

HERÓI INDEPENDENTE: PAUL VECCHIALI

Les Roses de la Vie (20 min, 1962)
Le Récit de Rebecca (20 min, 1963)
Les Ruses du Diable (105 min, 1965)
Les Premières Vacances (26 min, 1967)
L’Étrangleur (93 min, 1970)
Femmes Femmes (120 min, 1974)
Change Pas de Main (85 min, 1975)
La Machine (100 min, 1977)
Maladie (11 min, 1978)
Corps à Cœurs (126 min, 1979)
En Haut des Marches (92 min, 1980)
Rosa la Rose, fille publique (92 min, 1985)
Once More (87 min, 1987)
À vot’bon couer (95 min, 2004)
Les gens d’en bas (103 min, 2010)
C’est l’Amour (97 min, 2015)
Le Cancre (116 min, 2015)

Fonte:IndieLisboa

GÉRARD DEPARDIEU, FANNY ARDANT e MONICA BELLUCCI confirmados no Lisbon & Estoril Film Festival

O DIVÃ DE ESTALINE, de FANNY ARDANT, tem estreia mundial marcada no Lisbon & Estoril Film Festival 2016 e contará com a presença da realizadora e do actor GÉRARD DEPARDIEU, convidados desta edição do festival. MONICA BELLUCCI estará também no LEFFEST, para apresentar MALÈNA, um filme protagonizado e escolhido por si, e conversar com o público.

GÉRARD DEPARDIEU é o protagonista de O DIVÃ DE ESTALINE, que conta com a realização de FANNY ARDANT. Para além de DEPARDIEU no principal papel, Emmanuelle Seigner, Joana de Verona e Paul Hamy também fazem parte do elenco.

A longa-metragem corresponde a uma adaptação para o cinema do romance escrito em 2013 pelo francês Daniel Baltassat: Le divan de Staline, e foi rodada totalmente em Portugal. Numa residência secreta onde Estaline repousa por uns dias, um jovem pintor, Danilov, vem apresentar ao ditador o seu projecto artístico para um monumento póstumo à sua glória. Lidia, amante de Estaline, escolheu Danilov e o seu trabalho em detrimento de outros artistas e foi ela quem apresentou o pintor a Estaline. Ao fazer esta escolha, é também a sua vida que está em risco neste encontro, que se transforma num jogo de enganos, mentiras e terror.

Estreia mundial de O DIVÃ DE ESTALINE
Domingo, 13 Novembro, às 15h30
Cinema Medeia Monumental, Sala 4
Apresentação por FANNY ARDANT e GÉRARD DEPARDIEU

Pedimos a MONICA BELLUCCI que escolhesse um filme para exibir no Lisbon & Estoril Film Festival e a escolha foi MALÈNA (2000). A longa-metragem de Giuseppe Tornatore conta uma história passada em plena Segunda Guerra Mundial, numa pequena vila localizada na Sicília, Castelcuto. Ali vive Renato, um rapaz de 13 anos que, de repente, tem a sua vida radicalmente transformada por uma descoberta que irá marcá-lo para sempre, uma descoberta chamada Malèna (Monica Bellucci).

O filme será exibido no festival, numa sessão especial, com apresentação de MONICA BELLUCCI. A actriz também estará presente na Gala de Abertura do Festival. Malèna foi candidato ao Óscar de Melhor Fotografia e ao Urso de Ouro no Festival de Berlim.

No Lisbon & Estoril Film Festival, poderemos ver também MONICA BELLUCCI em On The Milky Road, o mais recente filme de EMIR KUSTURICA, também convidado do LEFFEST.

SESSÃO ESPECIAL - ENCONTRO COM MONICA BELLUCCI
MALÈNA, de Giuseppe Tornatore
Sábado, 5 Novembro, às 14h00
Cinema Medeia Monumental, Sala 4
Conversa com MONICA BELLUCCI, a propósito da sua carreira

Fonte: LEFF

MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista

A MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista chega à sua 3.ª edição, procurando no Cinema uma forma de estimular a reflexão e o debate, com o propósito de combater a indiferença. «A Balada de Um Batráquio» e «O medo come a alma» são dois dos filmes que serão exibidos de 14 a 16 de outubro, no Teatro Municipal do Porto – Rivoli, com entrada gratuita. A METROPOLIS entrevistou Nuno André Silva, Membro da Direção do SOS Racismo e da Equipa da MICAR, sobre os destaques desta edição.

O que levou à criação da Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista?
O SOS Racismo recorreu sempre a várias formas de comunicação e a espaços distintos, para estimular o debate e reflexão sobre os temas a que se dedica – ou seja, a discriminação, o racismo e a xenofobia. E o cinema foi também um desses instrumentos: já desde há vários anos a esta parte que a associação vinha organizando pequenas sessões ou ciclos de cinema pelo país, tendo inclusivamente produzido um documentário em 2010 sobre o seu trabalho e sobre o enquadramento do racismo em Portugal.
A MICAR era um projeto que tínhamos idealizado já há algum tempo, mas que só se tornou possível concretizar a partir de 2014, quando as condições de financiamento e de apoio logístico assim o permitiram. Para esse efeito, reconhecemos que foi decisivo o apoio da Câmara Municipal do Porto, que nos cedeu gratuitamente o Teatro Municipal do Porto – Rivoli para o efeito.

a piramide

«A Pirâmide Humana»

Considera que o cinema poderá ser uma boa ferramenta para dissipar alguns preconceitos e combater a discriminação?
Diria que o cinema é uma forma de comunicação completa e que, de facto, nos permite abordar todas temáticas que referi, de uma forma eficiente e eficaz. Assim, a par das conferências, das tertúlias, dos debates, do teatro, da fotografia ou da música, o cinema passou a ser também um veículo para o SOS Racismo assumir o seu objeto de intervenção social, de combate ao racismo e de promoção da inclusão, da igualdade e do reconhecimento da dignidade de todos e de todas. Não será uma ferramenta que, por si só, resolve todos os problemas a este nível, mas é, também, uma expressão democrática, de formação cívica e de promoção de valores.

Quais são os destaques desta edição?
É sempre difícil destacar este ou aquele filme, porque todos eles foram criteriosamente analisados e são todos – pelo menos, do nosso ponto de vista – excelentes filmes. Mas não podendo abarcar todos neste pequeno espaço, e correndo o risco de poder estar a ser injusto, diria que os filmes da Leonor Teles («Balada de um Batráquio» e «Rhoma Acans»), o premiado «Lampedusa in Winter», de Jakob Brossmann, os clássicos «O medo come a alma» de Rainer Werner Fassbinder, e «A Pirâmide Humana», de Jean Rouch, e os sublimes «Judgment in Hungary», de Eszter Hajdú, e «We Come as Friends», de Hubert Sauper, devem ser especialmente destacados.

judgement in hungary 1

«Judgment in Hungary»

Pondera-se levar a Mostra para a capital e outras cidades?
A MICAR tem a sua base no Porto, por razões logísticas e de organização do trabalho, mas também porque o Porto, apesar de ser uma cidade de cinema e com grande tradição nesta arte, não tem – ou pelo menos, não tinha em 2014 – muitos festivais ou mostras de cinema, apesar de haver público interessado. Faz assim todo o sentido que a MICAR permaneça no Porto, foi aqui que a proposta foi acolhida e onde conseguimos reunir os apoios suficientes para que a mesma pudesse acontecer.
Mas é nossa intenção que, durante o resto do ano, a MICAR vá passando por vários locais do país, em sessões específicas e temáticas, sobretudo em escolas, universidades, em parcerias com autarquias ou outras associações – ou seja, envolvendo sempre mais pessoas. Esse é um dos nossos objetivos e só não temos feito estas sessões com a regularidade que gostaríamos, porque, infelizmente, não temos capacidade financeira para o efeito.

É a 3.ª edição da Mostra. Como tem sido a receção do público até agora?
As duas primeiras edições foram uma surpresa para nós. Tivemos várias sessões esgotadas, a participação nos debates a propósito dos filmes foi sempre intensa e de grande qualidade, e conseguimos aproximar o projeto a muitas outras entidades, associações, escolas e universidades. Diria que a MICAR, embora organizada pelo SOS Racismo, é já um processo que envolve muitas mais entidades, sem as quais não teria, por certo, o sucesso que teve até agora. E o interesse e paixão que o público tem demonstrado pela Mostra é significativo, o que nos deixa satisfeitos, motivados e com a certeza que estamos num bom caminho e a prestar um serviço público e de qualidade.

Pirates of Salé - entrevista ROSA ROGERS & MERIÈME ADDOU (REALIZADORAS)

Porque sentiram necessidade de contar esta história?
O Cirque Shems’y é um sítio diferente de tudo o que alguma de nós já tinha visto antes. Fica num dos bairros mais pobres de Marrocos, entre bairros degradados demolidos pelas autoridades, numa área em que muitas crianças não vão à escola e os jovens têm pouquíssimas oportunidades. No meio deste cenário, o circo oferece algo mágico a estes jovens. Um mundo de oportunidades para criar, para tornarem-se independentes e terem pensamento livre e liberdade de expressão. O que acontece lá dentro é mágico e nós queríamos mostrar as vidas de alguns jovens que vivem entre estes dois mundos e que têm a coragem de fazer algo diferente de muitos outros que os rodeiam. São jovens na eminência de mudar as suas vidas e o seu futuro. O simbolismo de um circo próximo do mar, num antigo forte de piratas, é algo muito forte e com qualidades fílmicas imediatas. A Merième cresceu perto do circo e está ligada de uma forma muito pessoal e intensa aos jovens que estão lá e quis trazer as suas histórias para um público mais abrangente.

Qual foi o vosso maior desafio?
O mais difícil foi tentar acompanhar a complexidade da vida das pessoas durante um período de tempo e capturar os elementos importantes da história. Eu vivo em Londres e só estava em Marrocos durante curtos períodos de tempo, e a Merième também estava fora, a trabalhar noutros projetos, por isso, existiram momentos importantes que certamente não conseguimos capturar ou incluir neste filme da forma como gostaríamos. Além disso, a ideia de documentário apoiado na observação ainda é algo novo e por vezes as pessoas não conseguiam perceber porque é que também queríamos filmar situações fora do circo. O circo assume-se como uma escola profissional de treino e os jovens não queriam ser apresentados como miúdos de rua, como surgiram anteriormente na comunicação social. Foi necessário construir uma base de confiança e de relação com eles durante um largo período de tempo.

Como reagiram as pessoas a mulheres atrás das câmaras?
Muito bem. Continua a ser muito raro ver mulheres em Marrocos atrás das câmaras e na parte do som (fizemos esses papeis, assim como realização) e essa novidade trouxe respostas muito positivas. Também facilitou a entrada na casa das pessoas e a possibilidade de filmá- los de uma forma mais intimista.

Existe uma diferença na forma como homens e mulheres abordam os filmes?
Claro que depende sobretudo do realizador enquanto individuo mas, de uma forma geral, penso que as mulheres conseguem por vezes ser mais sensíveis aos pequenos detalhes e atentas aos aspetos “silenciosos” da vida das pessoas. Nesse sentido, elas conseguem efetivamente criar uma relação de compromisso e refletir as complexidades das vidas das pessoas e das personagens. Muitas vezes, são também melhores a trabalhar em colaboração num processo de descoberta – o que é uma grande vantagem no documentário de observação, no qual não se consegue prever a história e temos de estar constantemente a adaptar-nos.

Rosa

Rosa Rodgers

O que guardarão deste filme?
A coragem de Ghizlane, uma jovem que teve de esconder da maior parte da família que estava no circo. Apesar de todos os preconceitos contra as mulheres, no circo ela estava completamente determinada a mudar o seu futuro, tornando-se parte dele e treinando para ser uma artista de circo profissional. E embora o filme não siga a história dela depois, ela foi bem-sucedida em fazer isso e em resistir ao destino que a maioria das raparigas à sua volta tem – o de um casamento em tenra idade e a perda da sua independência. Ela é uma inspiração para as jovens mulheres de todo o mundo.

O que pensam de um festival como o Olhares do Mediterrâneo – Cinema no Feminino, que privilegia o papel das mulheres na produção de filmes?
É muito importante existir este festival, uma vez que o papel e a voz das mulheres continuam a não ter o mesmo destaque e espaço que os filmes feitos por homens. E a maior parte dos filmes continua a ser feito por homens. Isto está a mudar aos poucos, mas ver uma programação de filmes feitos por mulheres mostra realmente o talento e a diversidade de mulheres que fazem filmes nos quatro cantos do mundo.

FESTIVAL OLHARES DO MEDITERRÂNEO – Entrevista Sara David Lopes (directora)

O Festival Olhares do Mediterrâneo regressa ao cinema São Jorge no final do mês do Setembro com o objetivo claro: divulgar o cinema feminino do mediterrâneo. Por isso, foram selecionados dezenas de filmes dentro desse critério de escolha para um concurso variado e estimulante e imaginou-se uma nova secção temática-Travessias- relativa à questão dos refugiados e das migrações. Nas secções paralelas, o destaque vai para a programação gratuita para o 1ªciclo e para o Secundário, para além das oficinas temáticas e muito mais. Conversámos com Sara David lopes, diretora e programadora principal do evento que deixa o convite aos nossos leitores para conhecerem o Olhares do Mediterrâneo.

A edição deste ano apresenta algumas novidades, incluindo o alargamento do critério da escolha dos filmes e a data de realização. Fale-nos um pouco sobre isso?
Desde a concepção do festival mantemos uma reflexão contínua sobre o que fazer em cada edição e, este ano, pareceu-nos importante alargar a visibilidade deste cinema de mulheres à equipa criativa. Isso levou a que, em 2016, aceitássemos filmes feitos por homens, desde que tivessem sido produzidos por mulheres. Em edições futuras, ponderamos alargar este critério a toda a equipa criativa do filme. Um filme não é só feito pelo seu realizador e julgamos importante dar também visibilidade a outras áreas da sua produção genérica.

Quais os principais objetivos do Olhares do Mediterrâneo?
Como o próprio nome do festival indicia, pretende-se promover o cinema feminino do Mediterrâneo, o qual ainda assume uma percentagem muito pequena tanto na indústria cinematográfica como no cinema independente. Pensamos que é importante divulgar mais o cinema feito por mulheres, uma vez que o olhar que as suas obras mostram sobre o mundo é frequentemente distinto do olhar que nos traz o cinema feito por homens. É importante perceber essas diferenças, pois assim poderemos conhecer melhor a multiplicidade de olhares e de realidades vividas que estes filmes nos trazem.

Para além de divulgar o cinema feito por mulheres, pretendemos também promover o conhecimento sobre a diversidade de formas de viver que encontramos nas margens do Mediterrâneo e sobre os encontros e desencontros que se promovem neste espaço geográfico. Pensamos que podemos ter um papel na desconstrução de estereótipos e na reflexão sobre aquilo que nos distancia e aproxima enquanto mediterrânicos.

Foi isso que nos levou, este ano, a criar uma secção temática, Travessias. Dando continuidade a um interesse que está patente desde a primeira edição do festival - e que é um tema recorrente nos filmes que temos recebido - decidimos dar uma atenção especial à questão dos refugiados e das migrações forçadas, criando um espaço de reflexão transversal a todo o festival com actividades complementares ao cinema. Pretendemos com isto estimular o público a interrogar-se e a avaliar de uma forma mais informada esta questão que afecta de forma brutal o quotidiano das pessoas e dos países do Mediterrâneo.

Quais as principais dificuldades sentidas na elaboração da programação do festival?
A principal dificuldade é financeira, mas temos conseguido contorná-la com criatividade e parcerias.
É óbvio que o constrangimento financeiro gera um desafio à programação, nomeadamente na escolha de cerca de 30 filmes que se enquadrem nos nossos dois eixos de orientação: mulheres e Mediterrâneo. É preciso garantir que os filmes que conseguimos trazer ao festival têm qualidade e que na programação final existe um equilíbrio entre os diferentes países e as temáticas abordadas.

OLHARES Les Messagers1

Para além das competições de longas e curtas-metragens, realizam-se eventos paralelos como as oficinas e a programação para as escolas. Qual a importância destes eventos e quais os destaques deste ano?
Apesar de, desde a primeira edição, ser um festival de cinema, defendemos que é importante mostrar também outros aspectos da criatividade “mediterrânica”. Desde o início, quisemos trazer um “colorido sensorial” que impregnasse o todo do festival e que preenchesse os momentos entre sessões. Quisemos com isto criar um ambiente genérico de festa, por contraste com a mera ida a um festival de cinema. Como tem funcionado muito bem, temos apostado numa diversidade de actividades. Este ano, para além dos momentos musicais e de alguns workshops, nomeadamente de culinária e cinema, temos uma exposição de fotografia que resulta do desafio que fizemos a 5 mulheres refugiadas, que vivem em Lisboa, para fotografar o seu quotidiano. Teremos assim um olhar fotográfico que se junta ao olhar cinematográfico.

Para além disso, teremos sessões gratuitas para escolas - 1º ciclo e secundário - integradas no Plano Nacional de Cinema. Estas sessões permitem, simultaneamente, captar os jovens para o prazer de ver diferentes formas de fazer cinema e chamar a sua atenção para questões sociais importantes do mundo em que vivemos.

Quais os principais pontos de interesse no Olhares do Mediterrâneo deste ano? Convide os leitores da Revista Metropolis a conhecer o festival ...Não podendo destacar nenhum filme em particular, uma vez que todos os filmes concorrem para prémios atribuídos pelo Júri e Público, não queremos deixar de chamar a atenção para a secção temática, as Travessias. Alguns filmes serão seguidos de debates com convidados e algumas realizadoras e/ou elementos da equipa criativa, sendo que estes serão certamente momentos de grande interesse.

Convidamos, ainda, o público a participar nas actividades paralelas, algumas das quais destinadas a famílias, e a conhecer as muitas realizadoras presentes, algo que acreditamos ser uma mais-valia extraordinária para os filmes e para o público em geral.

Festival Olhares do Mediterrâneo – Cinema no feminino

Entre 29 de setembro e 2 de outubro, na sua 3ª edição, o festival Olhares do Mediterrâneo - Cinema no feminino regressa às salas do S. Jorge, em Lisboa, desta vez para quatro dias de atividades que vão muito além da exibição de filmes. No seu âmago, este festival mantém como foco principal a exibição de filmes oriundos da bacia mediterrânica, pretendendo, acima de tudo, divulgar o papel da mulher na produção cinematográfica. Este ano, a direção decidiu alargar o mote ao desempenho da mulher na equipa criativa em filmes de ficção, documentário, animação ou experimental, o que significa que mesmo que alguns dos filmes sejam realizados por homens, uma mulher teve um papel-chave no argumento, produção, direção de fotografia ou montagem, ou até mesmo na representação. Ao mesmo tempo, o Olhares do Mediterrâneo pretende trazer à capital portuguesa um conjunto de iniciativas paralelas, capazes de criar um espaço de partilha e reflexão sobre outras formas de viver a igualdade de todos nós na diferença de cada um.

Seleção de filmes

Após uma submissão de filmes que ultrapassa em grande escala a edição anterior, o festival Olhares do Mediterrâneo selecionou este ano 33 filmes, dos quais nove são longas-metragens e 24 são curtas-metragens, oriundas de 18 países, nomeadamente Albânia, Croácia, Egipto, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Líbano, Marrocos, Portugal, Turquia, entre outros. Nos vários géneros cinematográficos, 20 filmes farão a sua estreia nacional no festival e dois serão mesmo estreia mundial. No final do evento, serão atribuídos os Prémios de Melhor Longa-Metragem, Melhor Curta-Metragem, Travessias e do Público. Os bilhetes estão disponíveis nas bilheteiras do cinema S. Jorge e os preços variam entre os € 3,50 e os € 4, mas existem diversas opções de passes. Ver aqui: Info.

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Travessias

Temas como a morte, o sofrimento, o suicídio, a crise económica, problemas de habitação, mas também a família, o amor, a amizade e o envelhecimento, são transversais aos filmes submetidos a concurso. No entanto, e devido à problemática dos refugiados e das migrações forçadas em muitas das suas vertentes, o Festival considerou a relevância do tema e criou este ano uma secção especial dedicada a esta temática, sob a designação de Travessias. Neste espaço privilegiado, além dos oito filmes que focam a atual intensificação dos fluxos de migrantes, que trazem histórias de pessoas reais arrastadas no mar Mediterrâneo, decorrerão diversas atividades relacionadas com a temática, nomeadamente debates e conferências, uma exposição de fotografia e o acolhimento da SOS Méditerranée, uma ONG que se dedica a tentar impedir que pessoas morram no Mediterrâneo durante as travessias.

Atividades paralelas

Durante todo o festival, muitos dos filmes programados contam com a presença de elementos das equipas criativas durante a sessão, tornando possível sessões de Q&A entre os mesmos e a audiência. A música, os livros, o artesanato, ateliers para crianças e pais, e sessões especiais para escolas também marcarão presença. Para os mais gulosos, as boas notícias chegam através da Oficina de Sobremesas Saudáveis, no domingo, dia 2, pelas 16h30, mas se preferir provar um verdadeiro chá marroquino poderá optar pelo Ritual do Chá no sábado, dia 1,às 18 horas, antes da sessão do filme «Pirates de Salé». Um dos momentos musicais será protagonizado pelo Coro Feminino de Lisboa, que atua também no sábado, pelas 20h30. Todas estas atividades paralelas têm entrada livre, à exceção do atelier para pais e filhos Olhares Pequeninos, que terá um custo de € 7. Pode consultar todas as informações em: (http://www.olharesdomediterraneo.org/actividades-paralelas).

OLHARES exotica

Destaques da 3ª edição

«Exotica, Erotica, Etc» [foto], de Evangelia Kranioti, é o filme de abertura do Festival e é uma verdadeira obra visual. Vencedor de vários prémios, este documentário demorou nove anos a ser desenvolvido, implicou mais de 20 viagens e gerou 450 horas de filmagens. Além de o realizar, Evangelia Kranioti é igualmente a argumentista e diretora de fotografia. No centro do filme está a vida dos marinheiros que passam dias e dias em alto mar e as histórias de quem sempre os recebeu em terra. A cinematografia é fantástica e o enquadramento é feito ao pormenor.

O documentário «Pirates of Salé» traz a Lisboa as suas realizadoras, Rosa Rogers e Merième Addou, para uma conversa informal a seguir à exibição do filme, em conjunto com a associação cultural A Tenda. O foco é um grupo de adolescentes que se agarra ao curso de artista de circo como a única hipótese de terem “um futuro”. As mulheres devem permanecer em casa, enquanto aguardam um noivo que case com elas e é preciso coragem para inverter as regras e enveredar por uma vida de circo. Este curso é tudo o que têm para “serem alguém” e para ajudarem a família.

Da autoria de Hélène Crouzillat e Laetitia Tura, «Les Messagers» traz-nos relatos dos “mensageiros” da atualidade. Pessoas que tentam fugir dos seus países e que acabam tratadas como objetos e deixadas à morte. Enquanto tentam fugir ao controlo da polícia espanhola e marroquina, procuram uma alternativa para viver e, apesar de todas as vedações, o seu único objetivo é continuar a tentar. Não têm nada a perder. É um filme com testemunhos fortes de pessoas que, acima de tudo, são humanos, como todos nós.

OLHARES Nawara and Ali

A ficção chega através de «Nawara» [foto], com realização e argumento de Hala Khalil. No decorrer da Primavera Árabe de 2011, no Egito, Nawara é uma mulher do povo que vive num bairro degradado e pobre, mas trabalha numa mansão, junto dos que conseguiram juntar fortuna. Mantendo sempre o sentido positivo na vida e tendo como princípio a honestidade e a fé, Nawara não está preparada para algo que vai destabilizar todas as suas crenças.
«Women in Sink», de Iris Zaki, leva-nos para o interior de um cabeleireiro árabe de Israel, no qual várias mulheres, árabes ou judias, falam sobre temas como política israelita, a vida e o amor, enquanto lavam a cabeça. Um documentário curto mas um verdadeiro exercício social.

Participação portuguesa

Nesta edição, Portugal é representado por sete filmes. O documentário «A Caça Revoluções», de Margarida Rêgo, é um deles e é sobre duas gerações tocadas pela revolução dos cravos a partir de uma fotografia. Margarida Madeira assina a animação «Dona Fúnfia», uma senhora que um dia troca a saia por umas calças e pega na sua bicicleta para fazer a sua própria volta a Portugal. Também com um filme animado está Raquel Felgueiras e o seu «Galope», sobre a história da imagem em movimento. «Maxamba», realizado por Suzanne Barnard e Sofia Borges, é um documentário sobre um casal descendente de uma família indiana que habita no bairro Quinta da Vitória, que está prestes a ser demolido, e concorre na categoria Travessias. Por fim, «Outubro Acabou», de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, «Pronto, era Assim», a animação de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues sobre a história de vida de seis idosos, e «Retratando Marina», uma estreia mundial que conta a história de uma fotógrafa moldava que reflete sobre o seu Portugal, fecham a participação portuguesa.

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