Page 44 - Revista Metropolis nº128
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Felizmente encontrei casos que   «London», de Sebastian Brameshu-  dobrado entre a perda da inocência
            refutam uma crise artística, e por   ber, intercala-se aqui. Não só é um   no início de vida em «Josephine» e
            isso mesmo política. «Eight Brid-  filme que figura a humanidade que   a  perda  da  autonomia  no  final  de
            ges», de James Benning, é um de-  Benning conceptualiza, com pon-  vida em «Queen at Sea». «Rose»
            les. Há quem diga que ir à Berlinale   tes a serem estabelecidas em con-  evidencia a força de uma perfor-
            e não ver o mais recente filme de   versas com pessoas muito diferen-  mance, que definitivamente cons-
            Hong Sang-soo é não ter estado no   tes dentro de um carro entre dois   trói um filme à sua volta. A ener-
            festival, mas  eu redirecciono  tal   lugares no mapa, como nos oferece   gia transbordante de «Dao» [foto]
            afirmação para Benning. “O esta-  o inesperado: mostra-nos uma via-  e a forma como se defronta com a
            do do mundo fez-me pensar que    gem que decorre interiormente.   secura dançante de «Meine Frau
            precisávamos de pontes”, disse o                                  weint», dono de um exemplar tra-
            cineasta na sessão de estreia do   Se existe um, este é o ponto de par-  cking shot que acompanha o con-
            seu filme. Em primeiro plano, este   tida para os momentos definidores   tar de uma longa história num ca-
            fala-nos da ponte enquanto ponto   da edição deste ano. Passo a descre-  minho anexado à estrada, palavras
            de ligação entre países e culturas,   vê-los. O diálogo entre os portento-  estas que redefinirão para sempre
            fruto  de  uma  necessidade  de  pas-  sos filmes-ferida «Josephine» (uma   a relação entre o casal no seu cen-
            sagem, de viagem. Contudo, olhan-  oferenda de Sundance) e «Queen at   tro. «Auslandsreise», de Ted Fendt,
            do de  perto, deparo-me  com uma   Sea», dilemas morais que contam   deixa-nos cair no feitiço da sua luz
            semiótica de perturbação, a ponte   uma história cronológica do que   solar enquanto nos fala da leitura
            enquanto falta de destino em vista.   significa ser uma mulher: o espelho   enquanto viagem, ao mesmo tem-




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