Page 75 - Revista Metropolis nº128
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periais de outras nações, desencadeou Berg» («A Montanha Sagrada»), 1926, de onde homens e mulheres partilhavam
um dos maiores desastres da Humani- Arnold Fanck, e no seu «Tiefland» (Terra os códigos inerentes aos seres bafe-
dade, a Segunda Guerra Mundial. Baixa), 1940-1954. Não obstante, uma jados por uma força vital que os fazia
grave lesão no joelho interrompeu esta superar a condição humana aproxi-
Na sua juventude, Leni Riefenstahl, filha aventura nos palcos da dança moderna mando-os do divino, os eleitos capazes
de um empresário, praticou desporto e, sem abandonar o mundo das artes, de vencer os desafios e a vertigem re-
(ginástica olímpica e natação). Toda- a sua atenção voltou-se gradualmente dentora da montanha sagrada, o lugar
via, a vida artística começava a surgir para o cinema. inóspito que na Terra mais se aproxima-
no horizonte como um sonho a seguir. va do Céu.
Deste modo, a sua mãe, contrariando a Nessa altura foi atraída por um género
vontade do pai (que a queria ver uma muito em voga, os Bergfilm ou Filmes Será nesta época que entra no céle-
mulher de negócios para gerir os inte- de Montanha. Mas não se ficou pela bre «Die Wiesse Holle Vom Piz Pallu»
resses financeiros da família) inscreveu- simples circunstância de espectadora («O Inferno Branco do Piz Pallu»), 1929,
-a na Escola de Dança Grim-Reitter, de e cedo passou a conviver com alguns realizado por Arnold Fanck e Georg W.
Berlim. Foi rápida a sua ascensão ao es- dos nomes mais influentes associados Pabst. Muitas das sequências em que
tatuto de estrela, e os seus dotes na arte a essas produções, rodadas e situadas participou, muito exigentes do ponto
da expressão corporal podem ser apre- num espaço mítico, ou melhor, mitifica- de vista físico, seriam hoje impensáveis
ciados em filmes como «Der Heilige do pela cultura centro-europeia, lugar numa rodagem em que a protagonista
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