Page 80 - Revista Metropolis nº128
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FRANÇOIS OZON
Como classificar François Ozon sem do próprio código da “Verdade”, ge-
recorrer à ideia de um realizador de rou obras reconhecidas da sua mão:
imensas luas que orbitam no seu ser? «Swimming Pool» e «Dentro de Casa»,
Saído da La Fémis e apontado como onde o argumento constitui o âma-
um dos nomes maiores dessa escola go desses thrillers falseados, e onde o
na sua produção de artesãos do cine- próprio processo da criação fez deles
ma gaulês, o realizador revela-se um mais do que simples exercícios ou cita-
notório amante da escrita; o argumen- ções de suspense. Ozon também teve
to sempre foi o seu ponto forte, e as a sua fase almodovariana; o cineasta
reflexões dessa criação com a máqui- espanhol foi uma referência evidente, © PORTRAIT FRANÇOIS-OZON _ N&B-LEONIDAS-ARVANITIS
na de escrever como mote inspiracio- nem que seja na condução de certos
nal surgem igualmente concentradas ingredientes e tonalidades de um ci-
em muitos dos seus filmes. A ficção nema queer embrulhado num conceito
dentro da ficção, a matrioska narrativa mainstream. Há pastiche em «8 Mulhe-
que nos atira contra a realidade e para res», o seu primeiro voo alto e além-
fora dela, questionando a veracidade -fronteiras, reunindo quatro atrizes de
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