Page 103 - Revista Metropolis nº128
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abismos e tantas questões. E depois O preto e branco transmite uma enor- Tiveram uma coordenadora de inti-
toda a gente tem a sua própria visão do me sensualidade ao filme… midade?
Meursault. O Meursault nem sequer é Rebecca Marder: Parece que ficamos Rebecca Marder: Sim, havia uma.
descrito; nem tem nome próprio. E «o mais bonitos a preto e branco. E nas
estrangeiro» pode ser você, posso ser cenas na água gelada, acho que teríamos Qual é a sua opinião em relação a este
eu… ficado azuis se fosse a cores, o Benjamin novo cargo no cinema?
e eu. Mas sim, a sensualidade… pelo Rebecca Marder: Não sei se devo dizer
Foi diferente ser filmada a preto e menos para mim, ajudou-me saber que isto, mas para mim é um pouco compli-
branco? seria em preto e branco. cado. Acho muito importante que essa
Rebecca Marder: O preto e branco do profissão exista. Penso que em certas
filme é magnífico. E a forma, o ponto As cenas de intimidade são filmadas situações é realmente positivo e bené-
de vista com que o François abordou com muito bom gosto, sem perder o fico para os filmes e para os atores. Mas
a história. Como espectadora, quando seu lado mais gráfico… às vezes sinto que coloca demasiado
vi o filme, senti que saímos dele com Rebecca Marder: Eu nunca tinha filma- foco em cenas que, para mim, são cenas
muitas perguntas e poucas respostas. E do cenas ditas de intimidade. Quer dizer, como as outras. Tenho a impressão de
isso é bom. Eu gosto disso. Hoje em dia já tinha filmado cenas de amor, mas que isso acaba por tornar o ator ainda
estamos habituados a receber imagens nunca tantas, nunca tão despida. Mas es- mais estúpido do que já é. Como se
já todas mastigadas, e aqui sinto que tava completamente confiante. Primeiro confundíssemos tudo.
o espectador não é tratado como um porque era o François, e eu sabia que ele
idiota. iria filmar aquilo de forma pudica e bela. No fundo, o corpo é também uma das
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