Page 98 - Revista Metropolis nº128
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teatro à noite para ver alguém repre- é preciso ter outra intimidade. Demora Estava no meu mundo. Olhava para o
sentar. Depois entrei no cinema e aí a tempo até o cérebro se habituar a dizer- céu, para os pássaros, para as pessoas
carreira tornou-se mais egoísta. -te: cala-te. O que é preciso é deixar de que não fazem esta profissão. Os atores
ter os reflexos. É deixar de ter vontade. eram muito difíceis para mim. E no
Hoje, para si, a carreira é uma voca- Na altura, isso levou-me quatro meses. entanto adoro a Rebecca, adoro o Pierre
ção ou um prazer? E ao fim de quatro meses, quando Lottin, o Denis Lavant é um dos meus
Benjamin Voisin: É o meu trabalho. cheguei às filmagens, não queria saber atores preferidos.
Evidentemente que é preciso ser narci- de nada. Da rodagem, do Meursault. E
sista para poder ser visto pelas pessoas, o Ozon disse-me: "Perfeito. Fica assim. Depois de fazer o filme identifica-se
e ser pago por isso. Mas aquilo de que Vamos fazer o filme e depois voltas ao com a personagem?
eu gosto é de trabalhar. Ao mesmo normal." Benjamin Voisin: Há coisas em que
tempo, o trabalho vem de mim. Tenho concordo com ele. Mas não mais do
de passar muito tempo comigo próprio, Pode falar um pouco da química que antes. Tenho dificuldade em pôr
portanto tenho de ser egoísta. entre si e a Rebecca? emoções em palavras. Interrogo-me
Benjamin Voisin: Não muito, porque, pouco sobre as grandes questões da
A personagem de Meursault exigie francamente, foi o François que a diri- vida. Interrogo-me mais sobre o efeito
uma enorme contenção. Como é que giu. Eu acho a relação bonita no final, que uma frase me provoca, sobre um
foi o trabalho com o Ozon? mas, no momento das filmagens, eu momento em que vejo qualquer coisa.
Benjamin Voisin: Difícil. Difícil porque não estava muito com os outros atores. Tenho mais facilidade em dizer coisas
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