Page 151 - Revista Metropolis nº128
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THE FIRE INSIDE
«The Fire Inside» é baseado no percurso histórico de eliminatórias realizavam-se em Beijing e, pela primeira
Claressa Shields, da cidade de Flint no Michigan, até vez, a adolescente ficou longe do seu treinador/mentor,
ao sonho olímpico. A boxista é uma lenda viva no des- que, entretanto, tornou-se um pai adotivo após Claressa
porto. O filme foi realizado por Rachel Morrison, uma ser expulsa de casa pela sua mãe alcoólica. É igualmente
diretora de fotografia de obras como «Black Panther», um bom retrato sócio-económico refletido na situação
«Mudbound» e «Fruitvale Station», que se estreia em dramática de Claressa (no dilema entre a vida pessoal e
grande na realização deste filme. É uma obra que soube o boxe), na sua consciência em não abandonar a família
combinar o drama urbano de uma criança que vive no e na relação com o seu treinador, que se sacrificou por
seio de uma família afro-americana pobre e disfuncio- ela. O filme também representa a luta pela igualdade
nal. Em pequena, decide ser boxista e Jason Crutchfield de géneros no mundo do boxe feminino. A ligação entre
(Brian Tyree Henry, primoroso), um treinador de um gi- Claressa e Jason forma a relação central e o motor des-
násio para miúdos desfavorecidos, decide treiná-la. Na te filme, é o factor diferenciador que o distingue de ser
adolescência, Claressa (Ryan Destiny, um K.O.) torna-se mais um biopic de boxe – é muito mais do que isso. Em
uma estrela num mundo dominado por homens e injus- momento algum o filme torna-se lamechas, denotando
to para as atletas femininas, iniciando a sua trajetória maturidade e realismo.«The Fire Inside» é um filme ven-
de sucesso ao entrar para a equipa olímpica norte-ame- cedor, que se destaca não apenas pela sólida realização,
ricana e ao se qualificar, em 2012, em Spokane, para o mas também pelas interpretações de Ryan Destiny e
torneio de acesso aos Jogos Olímpicos de Londres. As Brian Tyree Henry. JP
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