Page 167 - Revista Metropolis nº128
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com que se depara. O colapso iminente do regime beleza da ilha é quase hipnótica (e o filme explora-a BETAFILM_AMRUM_©_BOMBERO_INTERNATIONAL_GMBH_CO_KG_RIALTO_FILM_GMBH_WARNER_BROS_ENTERTAINMENT_GMBH_GORDON_TIMPEN
justapõe-se ao colapso da crença inabalável nos pais e na perfeição), numa lembrança de que a Natureza
ao início do fim da idade da inocência. permanece e não se compadece com as desventuras
dos homens. Nem quando é apenas um pequeno
Nanning oferece-nos o seu ponto de vista, numa rapaz a tentar de tudo para encontrar um pão
escolha narrativa que está longe de ser pioneira branco, manteiga e mel para surpreender a mãe Hille
no cinema. O olhar das crianças sobre os horrores (Laura Tonke) e tentar que ela saia de um estado
da guerra é um dispositivo eficaz e pungente, de depressão com a queda de Hitler. Mais uma vez,
abrindo espaço a uma análise que questiona, cruza-se o macro e o microcosmo, o político e pessoal,
necessariamente, as escolhas dos adultos e a lógica a teoria da guerra e o impacto real e emocional.
(ou falta dela) da guerra. Não sendo pioneira, esta
perspetiva tem, em «Amrum», o mérito de nos «Amrum» é uma colaboração entre Akin e o
mostrar um lado muitas vezes mais ausente dos seu mestre, o cineasta Hark Bohm, que teve
registos cinematográficos: as sequelas para os papel de coargumentista e cujas memórias
vencidos. de infância servem de inspiração ao filme. O
filme estreou no Festival de Cannes, em 2025,
Entre planos introspetivos e uma fotografia e Bohm faleceu pouco depois, em novembro.
encantadora, a narrativa avança vagarosamente. A MARISA VITORINO FIGUEIREDO
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