Page 169 - Revista Metropolis nº128
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orgulhosamente francês, com uma doçura e          Seguimos então episódios da sua infância em
            nostalgia que não enganam. Mas não podemos        Marselha, a fuga para Paris “onde tudo acontecia”
            deixar de notar que, no plano narrativo, «Marcel   nos anos 1920, as lides do teatro e depois as
            et Monsieur Pagnol» tem mais fórmula que          do cinema, num percurso também marcado
            criatividade, resultando num filme belo – belíssimo   pela Segunda Guerra Mundial. Enfim, para
            – embora não surpreendente. Tudo começa com uma   quem conhece e admira o cinema de Pagnol,
            encomenda: a editora-chefe de uma revista feminina   como é o nosso caso, este biopic surge como um
            pede a Marcel Pagnol que escreva um folhetim      complemento precioso. Mas fora do contexto
            literário sobre a sua vida, as suas origens, os seus   francês, é possível que «Marcel e Monsieur
            amores, para satisfazer as leitoras da publicação.   Pagnol» não diga muito ao grande público,
            Sentado à secretária, o realizador de «A Filha do   ficando naquele limbo da animação para cinéfilos.
            Poceiro» sente-se desinspirado, até que a visita   Sylvain Chomet fez uma biografia encantadora,
            da criança que foi um dia, o pequeno Marcel, lhe   reconfortante – faltou-lhe apenas extravasar o
            desperta memórias e sensações há muito arrumadas   modelo comum desse género, como esperávamos
            no sótão interior...                              que fizesse. INÊS N. LOURENÇO












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