Page 164 - Revista Metropolis nº128
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A NOIVA!





               TÍTULO ORIGINAL
               The Bride!
               REALIZAÇÃO
               Maggie Gyllenhaal
               ELENCO
               Jessie Buckley
               Christian Bale
               Annette Bening
               ORIGEM
               Estados Unidos
               DURAÇÃO
               126 min.
               ANO
               2026












            A criatura do romance Frankenstein, de Mary Shelley,   O despertar da nova criatura marca o início de um
            atravessou mais de dois séculos de literatura, teatro   processo mais incerto do que qualquer experiência
            e cinema. Ao longo desse percurso, o imaginário   de laboratório poderia prever. A Noiva não surge
            em torno da obra foi sendo ampliado e povoado por   como simples resposta ao desejo de companhia de
            novas figuras. Desde a breve e memorável aparição   Frank, já que a sua presença introduz uma vontade
            em «Bride of Frankenstein» (1935), a chamada      própria que rapidamente escapa à lógica que
            “noiva” foi sobretudo um símbolo – uma promessa   presidiu à sua criação. Entre a curiosidade perante
            de companhia, uma experiência científica, um      o mundo que começa a descobrir e a estranheza
            gesto extremo na tentativa de reparar a solidão da   com que é observada pelos outros, a personagem
            criatura original. Em «A Noiva!» (2026), realizado   inicia um percurso que transforma a própria ideia
            por Maggie Gyllenhaal, o ponto de partida regressa   de “companheira” numa questão mais complexa
            a essa figura marginal do mito para a colocar no   do que aquela que motivou o pedido feito à Dra.
            centro da história, retomando o imaginário criado   Euphronious.
            por Mary Shelley e a tradição cinematográfica que
            dele nasceu.                                      À medida que a narrativa avança, «A Noiva!» (2026)
                                                              desloca o foco da experiência científica para as
            É nesse território que «A Noiva!» (2026) começa.   consequências da sua existência. A Noiva começa a
            Frank (Christian Bale) procura a cientista Dra.   questionar o papel que lhe foi atribuído, enquanto
            Euphronious (Annette Bening) para lhe pedir ajuda   Frank confronta a possibilidade de não ser o único
            na criação de uma companheira. A experiência      ser marcado por uma origem artificial. Entre
            devolve vida a uma mulher assassinada, dando      aproximações e recuos, o filme constrói uma relação
            origem à Noiva (Jessie Buckley), uma mulher       que ultrapassa a promessa inicial que esteve na
            ressuscitada que desperta num mundo que não       origem da experiência.
            conhece. A sua existência aproxima-a inevitavelmente
            de Frank, figura cuja própria história permanece   É nesse desvio em relação ao modelo clássico que
            marcada pela violência da origem e pela           o filme começa verdadeiramente a afirmar a sua
            impossibilidade de integração.                    proposta. Em vez de tratar a criação da companheira

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