Page 197 - Revista Metropolis nº128
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que pedem atenção, ajudando a contextualizar um desinteressante. Fecha um ciclo para a dupla — e
universo que muitas vezes o cinema simplifica. Ainda sente-se algum cansaço, ou até desilusão, nesta
assim, a montagem nem sempre acompanha essa abordagem à vida de um dos mais diabólicos
ambição: há falhas de contextualização, personagens chefes da máfia.
que entram e saem sem o devido enquadramento,
nomes que se perdem — um problema recorrente no Entre o absurdo e uma escuridão constante —
género, mas que aqui se sente mais do que devia. própria de tudo o que vive na clandestinidade,
escudado por um poder sobrevalorizado — fica a
Por outro lado, os realizadores não evitam o ridículo sensação de que talvez estejamos todos um pouco
inerente ao poder mafioso. Há um lado quase grotesco cansados deste imaginário. Ainda assim, o filme
— e isso é um dos aspetos mais interessantes do filme encontra espaço para algo mais raro: olhar para o
— que nasce, aliás, da própria correspondência real homem por detrás do mito, sem medo de expor a
que inspirou o projeto. sua fragilidade.
Apresentado em competição oficial no Festival E essa liberdade de interpretação dos autores pode
de Veneza, «O Último Padrinho» é um filme não ser tudo — mas, num mundo que tem tão
irregular, por vezes confuso, mas nunca totalmente pouco de bom, já é bastante. SARA AFONSO
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