Page 192 - Revista Metropolis nº128
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Apesar destes elementos sugestivos, o filme nunca espectador pode sentir dificuldade em perceber qual
parece clarificar plenamente a sua intenção. A é, afinal, o verdadeiro propósito da narrativa.
mensagem global da obra permanece algo difusa.
Em determinados momentos, a narrativa sugere Em entrevista, a realizadora relata que a ideia surgiu
uma abordagem crítica em relação ao movimento em 2020, quando encontrou por acaso um hino
Shaker; noutras ocasiões, parece adoptar um Shaker e decidiu investigar mais profundamente
tom quase reverencial perante a figura da líder este culto. O que mais a fascinou foi a capacidade da
religiosa parecendo inclinar-se mais para um comunidade de transformar o celibato numa forma
registo de exortação espiritual, por vezes próximo de êxtase coletivo através da música e da dança.
de um tom catequético, como se o objetivo fosse Consequentemente, estas duas dimensões assumem
transmitir uma lição religiosa em vez de construir um papel central no filme. Fastvold convidou Daniel
uma narrativa cinematográfica plenamente Blumberg para compor a banda sonora e Celia
envolvente. Essa oscilação acaba por gerar uma certa Rowlson-Hall para conceber as coreografias. Se a
indefinição temática. Em vez de desenvolver uma banda sonora de Daniel Blumberg consegue criar
reflexão consistente sobre as tensões inerentes às ambiências que remetem com eficácia para os hinos
comunidades religiosas utópicas, o filme limita- Shaker originais, o mesmo não sucede plenamente
se muitas vezes a apresentar episódios e imagens com o trabalho coreográfico. As coreografias
que permanecem enigmáticos. O resultado é que o concebidas por Celia Rowlson-Hall revelam-se
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