Page 195 - Revista Metropolis nº128
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a um autor que abdica da liberdade da sua voz,    impossibilidade de expansão, uma incapacidade
            e seu habitual carácter lúdico, para laborar um   de ultrapassar a repetição...o próprio devia ter
            projecto que à deriva permanece, vítima da falta de   ouvido Vadim quando este diz querer “fazer parte
            revelações. Chega a transbordar para o romantismo   do presente. Não ser uma mera testemunha”. É
            dos procedimentos ditatoriais! Mas até isso é     nessa posição que Assayas deixa o espectador,
            momentâneo. Acaba por perder o espectador ao      entre a crítica e a completa falta de ponto de
            confundir o peso da sua pose cinemática com a     vista, derrubada em parte pela voz tranquilizante
            profundidade do que tem para nos contar.          de Dano e sua tão neutra conduta.
            Composto por interpretações que, embora sólidas,
            se fazem de sotaques estranhamente britânicos     Assayas contava replicar um labirinto
            e de uma corporalidade onde os actores nunca      esquemático e o seu fechar sobre si mesmo, mas
            desaparecem nas personagens que interpretam, «O   para isso pedia-se gramática fílmica. Não basta
            Mago do Kremlin» é fruto de uma literalidade que   apresentar sucessivos elementos narrativos. O
            pertencia até há pouco tempo apenas à televisão e   autor sabe disso (fê-lo brilhantemente até aqui),
            que cada vez mais tende a misturar-se às produções   e ainda assim deixa o seu filme bombear sem
            cinemáticas. Noutras palavras, existe nele uma    sangue. SUSANA BESSA








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