Page 37 - Revista Metropolis nº128
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O MEU

                                                          URSO DE OURO


                                                                  RUI PEDRO TENDINHA












                                                              YELLOW LETTERS

                                                                        ILKER ÇATAK




                                                        Estava o cinéfilo a torcer para que neste festival ven-
                                                        cesse o filme do turco-germânico Çatak e o júri, que
                                                        misturava o realizador de «Hammet», Wim Wenders,
                                                        e a de «Família de Aluguer», Hilari, dava uma prenda:
                                                        Urso de Ouro. É uma felicidade acontecer isto, sobre-
                                                        tudo quando em Cannes eu torcia por «O Agente Se-
             se transformar num pirete sobre            creto» ou «Sirat» e venceu um razoável Jafar Panahi,
             as perversões sobre os milionários         «Foi Só um Acidente»...
             com tiques de clientes de Epstein.
             É só diabolicamente divertido...           O que faz estas cartas amarelas um filme à parte? Um
                                                        discurso contagiante sobre liberdade de expressão e a
             Na  secção  Perspectives,  tempo           intimidade da angústia da criação artística de um ca-
             apenas para espreitar «A Prayer            sal amordaçado por este regime turco. Depois de «A
             for The Dying», de Dara Van Du-            Sala de Professores», eis uma prova do poder emocio-
             sen, um western em formato de              nal de um cineasta que recusou ir para Hollywood fa-
             slow cinema que não deixa gran-            zer «A Criada» para apostar nesta história difícil, mas
             des  memórias,  onde  até  John C.         jamais inacessível. Estou convencido de que «Yellow
             Reilly não nos abana, tal como             Letters» vai ser um clássico instantâneo, mesmo
             «Only Rebels Win», de Danielle             numa altura em que a grande maioria do cinema de
             Arbid, com Hiam Habbass a desa-            qualidade nem a um público de nicho chega...
             fiar tabus através de um romance
             proibido com um homem décadas
             mais novo. Não, nem vai navegar à
             conta do escândalo.
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