Page 35 - Revista Metropolis nº128
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A BERLINALE FOI POLÍTICA. O ADN É TRAMADO!
se sabe que a diretora Tricia Tu- a fazer escolhas. É um filme de di- quer simplificação didática, e essa
ttle vai continuar, mas também lemas morais chocantes, tão cho- é a sua maior firmeza. Tem Gem-
já se sabe que vai estar mais vi- cantes que nos deixam de rastos. A ma Chan e Channing Tatum a pro-
giada. Importante é perceber que editora portuguesa Alambique Fil- var que, afinal, são mesmo atores.
a Berlinale 2026 tirou coelhos mes já o sabia e, antes da aclama-
da cartola e conseguiu encon- ção, já o tinha comprado, um baile Outro dos grandes, grandes fil-
trar uma dezena de filmes que explícito a certas distribuidoras mes de Berlim foi «Nina Roza»
vão ser importantes este ano. que parecem comprar o que não (prémio de melhor argumen-
interessa e inundar o nosso mapa to), de Genévieve Dulude-de
A começar com a discussão sufo- de estreias de títulos que fazem Celles, profunda reflexão sobre
cante de um casal de artistas tur- apenas “42” ou “72” espectadores. como a arte do povo pode ser
cos em Berlim a fingir de Ankara capital de lucro para as elites.
nesse fulminante «Yellow Letters», «Josephine» [foto], de Beth de
de Ilker Çatak, Urso de Ouro. Pará- Araújo, também foi para o mesmo No palmarés há uma ausência que
bola sobre o local das escolhas ar- editor e não me admiraria se esti- é uma nódoa de vergonha para o
tísticas e pessoais ou como os inte- vesse na temporada de prémios de júri: «Dao», de Alain Goumis, o
lectuais de esquerda são obrigados 2027. Eis uma obra que recusa qual- contagiante fluxo de uma vertigem

