Page 36 - Revista Metropolis nº128
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africana a saltar para o lado de cá at Sea», de Lance Hammer, po- Leyla Bouzid, uma viagem pela Tu-
do ecrã, obra que vai ser comparada deroso dramalhão com Bino- nísia destes dias centrada na ques-
ao fluxo de energia de um Kechiche. che. Uma obra sobre a demência tão da liberdade sexual, através de
que não é sobre demência. É so- um regresso de uma tunisina que
Voltando ao palmarés, o Urso de bre continuarmos a estar vivos. leva a sua companheira para o en-
interpretação ficou em casa para terro do tio, bem perto do regres-
a poderosa Sandra Huller, em «The Loneliest Man in Town», so de Hanna Bergholm, desta feita
«Rose», de Markus Schleinzer, de Tizza Covi e Rainer Frimmel, com um manifesto de terror sobre
atriz que se apaga no corpo de foi talvez a surpresa inespera- a maternidade. Chama-se «Nigh-
uma mulher a roubar a identida- da, objeto metareferencial com tborn» e nunca assusta como quer
de de um homem na Alemanha o músico austríaco Al Cook a fa- assustar... Estranhamento deixa-
rural do século 17. É uma Huller zer uma versão de si próprio, tem -nos indiferentes, algo que não
nos antípodas do que podemos qualquer coisa de inatingível. O acontece com «Rosebush Pruning»
ver em «Projeto Hail Mary». Dir- que para nós é inatingível tal- [foto], provocação divertida que
-se-ia apenas que o filme pode- vez possa ser humor austríaco. irritou a cinefilia mais preconcei-
ria ter um pouco mais de sal. tuosa. Trata-se de uma espécie de
Falemos de desilusões. A maior remake de «De Punhos Cerrados»,
Coisa que não falta ao belo «Queen delas terá sido «À Voix Basse», de de Marco Bellochio, que acaba por
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