Page 50 - Revista Metropolis nº128
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dramático. Como é que foi esse de espaços que não são muito expressões ao argumento.
equilíbrio? habitados. E talvez isso tudo passe Além disso, havia outros atores
Pedro Cabeleira: Queria que para essa sensação mais de género. que conhecem muito bem a
o filme tivesse a sensação de Mas depois a ideia é manter realidade, como o Tiago Costa,
autenticidade e de realidade. sempre uma coisa muito autêntica que interpreta o personagem
Mas acho que, ao mesmo tempo, nos atores, nos diálogos, até nas Fama. E, por exemplo, ele está
eu gosto do cinema enquanto próprias situações. completamente à vontade, tem
experiência. E acho que o lado um domínio muito distante do
mais de género, se quisermos Como é que foi a pesquisa calão. Não houve um grande
chamar assim, saiu de uma para obter o refinamento nos trabalho de pesquisa, foi só
forma orgânica, não estou a diálogos? mais dar liberdade às pessoas e
pensar se é mais um thriller. E Pedro Cabeleira: No fundo, não enturmá-las dentro do que era
está relacionado com a ideia de foi preciso uma grande pesquisa, aquela cidade e aquele universo.
experiência e com a ideia de sons, porque eu sou de lá. Eu conheço
com a ideia de imersão, com a ideia muito bem o calão. E grande parte Algo que achei muito positivo
de usar a música, de sensações. dos atores não profissionais. no filme foi o seu equilíbrio
com a imagem, o escuro da noite. Portanto, estavam em casa, por e a sua honestidade. Não
Essas coisas deram um tom mais assim dizer, na maneira como houve nenhuma tentação
de thriller ou mais estilizado. falavam. Os diálogos refletem de maniqueísmo ou retórica
E depois caiu na atmosfera e muito a maneira como falam social. Optou apenas pela
a sensação que a cidade tinha, e as expressões que utilizam. exposição das coisas como são.
aquela ideia de isolação, de vazio Havia atores que não dominavam Teve esse receio na criação do
à noite, a ideia de ruas vazias, tanto o calão e que foram buscar argumento e no processo de
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