Page 55 - Revista Metropolis nº128
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Porque quando se higieniza a coisa É algo de caso a caso, ir pensando específicas de lá, mas não é uma
fica muito artificial, muito plástica quando estamos a escrever e realidade distinta de todos os
e percebe-se que está a proteger quando estamos a dirigir e ir sítios do país. Mesmo agora
demasiado os personagens e pensando. na estreia em Paris, disseram-
os temas. E para mim houve me que o filme fazia lembrar
esse cuidado de tentar esse Esta é uma história que se situações dos bairros à volta de
equilíbrio entre tratar as coisas multiplica pelos bairros sociais Paris. Portanto, há coisas que são
com dignidade, mas ao mesmo de Portugal e do mundo. É causas universais, fenómenos
tempo sem estar a esconder as muito triste que seja uma de exclusão, tais como os de
fragilidades das pessoas. Porque história universal, pois quer criminalidade exatamente com
se não tem, as pessoas também dizer que continuamos a ver a exclusão social; a questão da
não criam empatia porque ficam os comboios a passar. Tiveste extrema-direita é um assunto
muito artificiais e o olhar fica esse feeling de impacto, ou, se universal e não apenas local ou
demasiado clínico. E não me preferirmos, de universalidade específico dali. Portanto, essas
interessava isso. Houve um olhar dos temas abordados na coisas acabam todas por resolver,
horizontal e implicou também ver história? porque no fundo as histórias têm
as coisas menos boas que existem Pedro Cabeleira: Ainda bem que essa capacidade de ser universais.
nas pessoas e também as coisas o filme tem essa universalidade, Por isso é que nós às vezes vemos
melhores. Toda a gente tem esse a minha intenção sempre foi um filme tailandês e identificamo-
lado, não é? trabalhar com coisas muito nos com aquilo.
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