Page 54 - Revista Metropolis nº128
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foi possível concretizar o filme muito orgânica. Ela sabe do que personagens em constante
precisamente com esse apoio do é que eu gosto, eu sei do que é conflito com a raça e a
Entroncamento. Já houve muitas que ela também prefere. E aí, se economia a serem o ponto de
pessoas que o viram. E na estreia houvesse trabalho, era ali que nós clivagem. Há racial profiling,
em Lisboa, no LEFFEST [Lisboa trabalhávamos, muito com gosto há ódios profundamente
Film Festival], veio muita gente natural e com gostos de espaços. enraizados, o emprego é
do Entroncamento. Há muita E depois, às vezes, o trabalho, escasso. Como é que foi o
população de lá que está curiosa principalmente à noite, é estar pensamento e a sensibilidade
para ver o filme. a esconder luzes para fazer um para conseguires criar essa
desenho. É muito o trabalho que síntese tão perfeita?
O trabalho da Leonor Telles, ela faz também. Quanto à câmara Pedro Cabeleira: Obrigado.
documentarista premiada, no ao ombro, é uma coisa que ela Ainda bem, fico contente que isso
look final desta obra? também está muito confortável tenha passado. Não sei se toda
Pedro Cabeleira: Eu trabalho em fazer. É a quinta vez que a gente sente isso. É ir vendo o
com ela há muitos anos. Ela fazemos um filme juntos. É uma que é que se está a trabalhar e ter
foi minha colega de turma na coisa muito orgânica. muito cuidado quando se está a
escola de cinema e trabalhamos abordar temas mais delicados.
juntos desde aí. É uma coisa Apelido o filme também de Mas também eu sinto que tem
muito intuitiva, é uma coisa “crime story”, mas podemos de haver o cuidado para não
dizer que há um universo de higienizar demasiadas coisas.
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