Page 118 - Revista Metropolis nº128
P. 118
MARCO
OLIVEIRA
O PLANETA
A Academia devia pensar seriamente ciência vincadamente distinta da as- uma viagem a Marte onde o narrador
em atribuir um Oscar honorário ao pla- trologia — começa a influenciar a lite- encontra uma civilização de pequenos
neta Marte. O planeta vermelho tem ratura da época. Em 1877, o astrónomo seres marcianos. De notar que esta
sido protagonista indiscutível de mui- Giovanni Schiaparelli observa linhas na viagem espacial se faz a bordo da nave
ta — e muito boa — ficção-científica. superfície de Marte a que chamou ca- Astronauta, a primeira utilização docu-
Mais até do que protagonista, Marte nali e a sua tradução para “canais” cedo mentada deste termo.
tem sido uma força motora por detrás inspirou fantasias sobre obras de en-
de muitas histórias do género, mesmo genharia construídas por civilizações E em 1898, com «A Guerra dos Mun-
antes do nascimento do Cinema. Ne- avançadas de marcianos. dos», surge a consolidação de Marte
nhum outro corpo celeste tem o currí- como referência incontornável no
culo que este tem. O reconhecimento Poucos anos depois, em 1880, surge universo da ficção-científica. Este clás-
é-lhe devido com toda a justiça. aquela que é a primeira obra literária sico de H.G. Wells sobre uma invasão
de ficção-científica centrada em Mar- do planeta Terra por seres marcianos
Para sumariar a questão da origem te: «Across the Zodiac», assinada pelo popularizou uma ideia que seria — e
deste protagonismo, no século XIX a autor inglês Percy Greg. Este romance continua a ser — uma das grandes
astronomia — por esta altura já uma conta, pela primeira vez, a história de premissas da ficção-científica. Marte
118 METROPOLIS MARÇO 2026

