Page 117 - Revista Metropolis nº128
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MANOBRAS NA CASA BRANCA, 1997











            ças com eventos verídicos reforçam-no   brada atualidade numa era de descrença,   vão sendo simplificados e “estupidifica-
            e geram ainda mais dúvidas sobre o   de  fake  news e de inteligência artificial,   dos”, para serem facilmente seguidos
            que acontece nos bastidores do poder.   que tornam mais sofisticada (e fácil) a   por uma audiência permanente focada
            E não apenas com esta questão atual de   distorção da realidade. Os limites entre   (ou dispersa) no  smartphone. Quando
            Donald Trump e da guerra no Irão. Ain-  factos,  entretenimento  e  narrativas  ma-  não há espaço entre linhas, é a própria
            da em 1998, por exemplo, pouco após a   nipuladas nunca estiveram tão diluídos.   amplitude do cinema que se abafa.
            estreia do filme, Bill Clinton é arrastado   Como seria o filme se produzido hoje? E   Com ou sem geopolítica à mistura, re-
            num escândalo sexual e lança um ata-  até onde poderia chegar a ilusão criada   gressar a esta Casa Branca nos anos 90
            que de mísseis contra bases da al-Qae-  por Stanley Moss com toda a tecnologia   é sempre uma boa opção de viagem. O
            da, no Afeganistão. Meses depois, co-  que temos hoje à nossa disposição?   filme resiste ao tempo e eleva-se na sua
            manda também a operação Raposa do                                 relevância atualizada. É um dos filmes
            Deserto, contra o Iraque. Com o filme, a   Noutra nota, a revisitação do filme traz   mais sonantes sobre a guerra sem ser
            expressão wag the dog entrou no léxico   também  algum  saudosismo.  O  guião   um filme de guerra. E uma das melhores
            político e mediático para descrever uma   denso, inteligente e repleto de leituras   sátiras sobre o mundo em que vivemos,
            ação extrema que distrai a opinião pú-  nas entrelinhas, brilha sobretudo no diá-  sem se levar demasiado a sério.
            blica de uma questão política interna.   logo rápido entre os gigantes De Niro
                                             e Hoffman (irrepreensíveis na “valsa”   Please, Rewind é uma rubrica de lem-
            Voltar a «Manobras na Casa Branca», qua-  que dançam ao longo do filme e que   brança e (re)descoberta do cinema
            se 30 anos depois, é redescobrir velhas   prepara a cadência do desfecho entre   dos anos 70, 80 e 90, onde se revisitam
            questões, ainda que sob uma nova luz. A   ambos). A sensação é que estamos pe-  filmes com impacto na história do ci-
            principal é que a mediatização da política   rante um argumento de outros tempos,   nema e na nostalgia pessoal de cada
            e a manipulação dos factos ganha redo-  à medida que os guiões de hoje em dia   um de nós.
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