Page 113 - Revista Metropolis nº128
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e intelectualizava a visualização e a ex-  Mas que obras podem ser incluídas no
            ploração destes temas afastando-os do   New French Extremism?  Abro  as  portas
            gore ou da pornografia pura e dura. A   do Inferno e deixo-vos uma pequena
            par, nas artes plásticas, um movimento,   selecção com os cinco melhores filmes.
            não homogéneo, que nasce nos finais   Que avancem os mais corajosos e, lem-
            dos anos 1980, segue a mesma veia cria-  brando Dante, "Deixai toda a esperança,
            tiva. Nos EUA artistas como Jeff Koons   vós que entrais."
            ou Keith Haring exploram os limites da
            representação pornográfica e sexual   «Romance», dir. Catherine Breillat, 2001
            ou ainda Andres Serrano que testa os   «Le Pornographe/O Pornógrafo», dir.
            limites do herético. Mas é em Inglaterra,   Bertrand Bonello, 2001
            com os yBA (young British Artists), um   «Baise Moi», dir. Virginie Despentes e Co-
            colectivo de artistas da universidade de   ralie Trinh Thi, 2001
            Goldsmiths que explode a cena artística   «Trouble Everyday/Desejo e Obsessão»,
            com a exposição  Freeze logo em 1988.   dir. Claire Denis, 2001.
            Pornografia, violência, heresia, taxider-  «Irréversible/Irreversível», dir. Gaspar
            mia, escatologia passam a ser temas   Noé, 2002.
            legitimados nos meios artísticos, cultu-
            rais e académicos. Este corpus extremo
            acabaria, fatalmente, por transpirar para   *Artforum International, vol. 42 n.º 6, feve-
            o Cinema.                        reiro de 2004
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