Page 116 - Revista Metropolis nº128
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MARISA
                 VITORINO
               FIGUEIREDO


























                                               MANOBRAS NA CASA BRANCA, 1997











            Um escândalo sexual que envolve o pre-  forçar, "war is a showbusiness".   O segundo, um produtor de Hollywood,
            sidente  dos  Estados  Unidos,  uma  crise                        contactado por Brean para criar a mano-
            iminente e a decisão de distrair a aten-  Em forma de sátira ácida, «Manobras na   bra de distração ideal: uma guerra.
            ção pública com uma guerra. Poderia ser   Casa Branca» é uma crítica pouco sub-
            a descrição de um evento geopolítico da   til aos jogos de poder e à teatralização   A partir daí, tudo são smoke and mirrors.
            atualidade – e qualquer semelhança é,   máxima dos eventos geopolíticos, uti-  Criam-se narrativas, enquadramentos e
            puramente, coincidência –, mas, na ver-  lizados como ferramentas mediáticas   desvios de  atenção,  milimetricamente
            dade, trata-se da premissa de base de   praticamente infalíveis. O que é verdade   planeados e eficazes. O escândalo sexual
            «Manobras  na  Casa  Branca»  («Wag  the   e o que é ilusão? Se perguntássemos a   passa para segundo plano – e desvane-
            Dog»), o filme de Barry Levinson de 1997.  Conrad Brean (Robert De Niro) e Stanley   ce-se  completamente  –  perante  uma
                                             Moss (Dustin Hoffman), talvez a resposta   guerra fabricada contra a Albânia, as
            O conflito recente no Irão e as teorias re-  fosse que tudo é ilusão. E que, por isso   tristes imagens de uma criança a fugir do
            correntes que relacionam a intervenção   mesmo, tudo é uma espécie de verdade.   conflito (agarradas a um irresistível gati-
            dos Estados Unidos com uma tentativa   Uma verdade fabricada.     nho) e um novo herói que serve de veí-
            de distração do caso Epstein tornam                               culo a um patriotismo exacerbado. Tudo
            quase incontornável um regresso à obra   Brean e Moss lideram toda a ação nar-  isto, repita-se, é ilusão, fabricada para
            de Levinson. Os tempos são outros, mas   rativa, manobra atrás de manobra, qual   comover, entreter e esconder.
            a atualidade e a pertinência do guião de   mestres de marionetas. O primeiro é o
            David Mamet e Hilary Henkin (a partir do   spin doctor  contratado pela equipa do   Ainda que bem resguardada no absurdo
            livro  American Hero,  de  Larry  Beinhart)   presidente norte-americano para salvar   da comédia, a sátira de Barry Levinson   © 1997 NEW LINE CINEMA.
            continuam em ponto de rebuçado. Até   a reeleição, na véspera de um escânda-  aproxima-se, frequentemente, das fron-
            porque, como o filme faz questão de re-  lo sexual ser divulgado pela imprensa.   teiras de um possível real. As semelhan-


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