Page 157 - Revista Metropolis nº128
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JOGADA DE
MESTRE
TÍTULO ORIGINAL
How to Make a Killing
REALIZAÇÃO
John Patton Ford
ELENCO
Glen Powell
Margaret Qualley
Jessica Henwick
ORIGEM
Reino Unido/França
DURAÇÃO
105 min.
ANO
2026
Nos últimos anos, os estúdios A24 têm sido uma surpreendente. O filme escapa também a uma análise
profícua e inventiva máquina de alguns dos melhores mais profunda da psique da personagem principal ou
filmes da década, arriscando em abordagens criativas, até a um contraste mais patente entre classes, algo
intimistas e complexas em diferentes géneros. «A tão mais sentido no filme «Parasitas» (2019) e na série
Lagosta» (2015), «Tudo em Todo o Lado ao Mesmo «Exit - Fina Finança» (2019-2023), com impacto mais
Tempo» (2022), «Vidas Passadas» (2023) e «Marty exacerbado na narrativa.
Supreme» (2025) são apenas alguns exemplos da
diversidade e qualidade de obras já apresentadas. Glen Powell assume com segurança o protagonismo
«Jogada de Mestre» certamente não irá para esta e entrega uma interpretação sólida e que encaixa
galeria dourada, mas também não borra a pintura por no perfil da história, direcionando o espectador
completo. para as conquistas e percalços da jornada da sua
personagem. Jessica Henwick, Ed Harris, Topher
A premissa é o principal e mais chamativo aperitivo: Grace e Zach Woods ajudam a compor o sólido elenco
Beckett Redfellow (Glen Powell) é um homem de secundário, mas é Margaret Qualley quem mais
classe baixa cuja mãe foi rejeitada pela família consegue destacar-se. O seu desempenho é tão vivaz e
biológica quando decidiu avançar com a gravidez. carismático que o filme acaba por pecar pelo facto de
Beckett é, por isso, herdeiro de uma fortuna a atriz ter uma participação relativamente reduzida.
obscenamente elevada, mas há um pequeno
problema: os outros herdeiros que estão à sua frente O tom de comédia negra está presente ao longo da
na linha de sucessão… narrativa e contribui para momentos ácidos que
funcionam. Mas, embora consiga entreter, «Jogada
O filme inspira-se livremente na narrativa do clássico de Mestre» titubeia em mostrar mais arrojo, um
britânico «Oito Vidas por Um Título» (1949), de carácter mais diferenciador que poderia fazer
Robert Hamer, contando com John Patton Ford brilhar, definitivamente, a premissa. E, assim, perde
na realização e no argumento. O cineasta assina a oportunidade de ser um bom herdeiro de um já
uma obra coerente e bem encadeada, embora pouco profícuo legado. TATIANA HENRIQUES
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