Page 161 - Revista Metropolis nº128
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redes sociais, bombardeado por estímulos constantes,   liberdade e manipulação coexistem numa tensão
            referências culturais e micro-narrativas que exigem   constante. A sátira, aqui, não é apenas crítica: é,
            atenção imediata mas raramente permitem reflexão   sobretudo, um alerta.
            prolongada. O filme encena assim uma espécie de
            ansiedade digital permanente, na qual a experiência   É particularmente produtivo ler o filme à luz do
            se torna fragmentada e simultaneamente superficial   ensaio “Cibermundo: a política do pior”, de Paul
            e excessiva. O novo acrónimo FOMO (fear of missing   Virilio. O pensador francês argumentava que cada
            out) é disso exemplo.                             inovação tecnológica produz inevitavelmente o
                                                              seu próprio acidente: a invenção do navio cria o
            Uma das qualidades mais interessantes da obra é a   naufrágio e o naufrágio leva à criação do SOS. No
            forma como conjuga humor absurdo com inquietação   contexto digital, esse “acidente” manifesta-se na
            filosófica. As piadas são rápidas mas acumulam-se até   saturação informativa, na vigilância algorítmica
            formar um retrato desconfortavelmente reconhecível   e na erosão da experiência directa. O SOS será
            da vida mediada e gerida por ecrãs de telemóvel a   o alerta para o controlo e legislação preemptiva
            caminho de uma completa alienação. Nesse sentido,   das novas tecnologias. Virilio desenvolveu ainda
            «Good Luck, Have Fun, Don't Die» aproxima-se de   o conceito de dromologia: a lógica da velocidade
            outras distopias contemporâneas sobre tecnologia,   como força estruturante da política e da sociedade
            mas distingue-se pela sua recusa em adoptar um    modernas.  De igual modo, a compressão do espaço e
            tom puramente pessimista. Há um humor corrosivo   do tempo produz uma nova forma de poluição — não
            que atravessa toda a narrativa e impede o filme de   ambiental, mas mental — resultante da saturação
            se transformar numa simples parábola moralista    informativa e da velocidade absoluta da comunicação.
            ou moralizante. Verbinski parece compreender que   Em «Good Luck, Have Fun, Don't Die», essas
            a cultura digital é simultaneamente fascinante e   dromologia e poluição surgem quase materializadas.
            inquietante; um espaço onde criatividade, alienação,   A narrativa vive obcecada com a aceleração: decisões





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