Page 174 - Revista Metropolis nº128
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YUNAN




               TÍTULO ORIGINAL
               Yunan
               REALIZAÇÃO
               Ameer Fakher Eldin
               ELENCO
               Sibel Kekilli
               Georges Khabbaz
               Hanna Schygulla
               ORIGEM
               Alemanha, Canadá, Itália
               DURAÇÃO
               124 min.
               ANO
               2025





















            “O sorriso dela era como uma fissura na romã”,    enredo funciona sobretudo como suporte para
            reconta a mãe de Munir pela enésima vez. A imagem   uma exploração atmosférica e psicológica do seu
            literária é tão bela quanto enigmática, e possui a   protagonista. Munir, interpretado pelo actor libanês
            mesma qualidade sensorial e estranhamente poética   Georges Khabbaz, é um escritor árabe exilado que
            que atravessam as imagens de «Yunan», a segunda   decide retirar-se para uma ilha isolada do mar
            longa-metragem realizada por Ameer Fakher Eldin.   do Norte, trazendo consigo uma intenção nunca
            Tal como essa frase, o filme parece nascer de uma   totalmente verbalizada: a de pôr termo à própria
            região ambígua entre a memória e a fábula. É uma   vida. O encontro com Valeska (Hanna Schygulla),
            obra que se inscreve claramente na linhagem do    uma mulher idosa que dirige uma pequena pensão,
            cinema contemplativo contemporâneo, onde se       desencadeia uma transformação gradual do seu
            procura traduzir cinematograficamente a experiência   estado de espírito. Contudo, desde o primeiro plano,
            do exílio e da perda de pertença. Estreado em     percebe-se que Eldin não pretende realizar um drama
            competição no Festival Internacional de Cinema    narrativo convencional. O filme trabalha sobretudo
            de Berlim, «Yunan» surge como o segundo capítulo   com atmosferas, com o peso do silêncio e com a
            de uma trilogia iniciada com «Al Garib» (2021) e   presença física da paisagem. A escolha da ilha de
            prossegue a investigação estética e existencial do   Langeneß, uma das chamadas Halligen do norte da
            realizador em torno da identidade, da deslocação e do   Alemanha, não é apenas um cenário pitoresco, mas
            silêncio interior.                                antes um espaço geográfico singular, periodicamente
                                                              inundado pelo fenómeno conhecido como land unter.
            A longa-metragem constrói-se como uma obra        Esse movimento de submersão e reaparecimento da
            deliberadamente lenta e meditativa, na qual o     terra funciona como metáfora central da narrativa:




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