Page 175 - Revista Metropolis nº128
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aquilo que desaparece pode regressar, mas regressa Andrei Tarkovsky ou Theo Angelopoulos, realizadores
sempre transformado. O próprio realizador explicou que também privilegiaram a contemplação da
que concebeu «Yunan» como uma reflexão sobre o paisagem e a dilatação do tempo cinematográfico.
desenraizamento e sobre os “espaços silenciosos” Mas há igualmente algo de profundamente germânico
que a perda de um lar cria na vida de quem vive em na imaginação visual de Eldin, que parece dialogar
exílio. A sua intenção não era oferecer uma resolução com o Romantismo alemão, onde a paisagem se torna
reconfortante, mas permanecer nesse estado de espelho do estado interior do sujeito.
suspensão emocional onde a identidade se torna
incerta e a imaginação se converte numa forma de A fotografia de Ronald Plante explora com grande
sobrevivência. sensibilidade as tonalidades frias e nebulosas do mar
do Norte, criando imagens de uma beleza austera
Essa concepção traduz-se numa mise-en-scène e melancólica. As planícies inundadas, o vento
rigorosamente minimalista. Eldin expurga os constante e o horizonte indistinto transmitem uma
diálogos e privilegia aquilo que poderíamos chamar sensação de limbo existencial: Munir parece habitar
de dramaturgia do gesto: um olhar prolongado, um território intermédio entre a vida e a morte,
uma pausa, um pequeno acto de hospitalidade. O entre o passado e a possibilidade de um futuro. Em
realizador declarou em entrevistas que sempre contraste surgem as paisagens da Síria, igualmente
desconfiou das palavras preferindo trabalhar com desoladas mas mergulhadas em tonalidades sépia,
aquilo que permanece não dito entre as personagens. como fotografias antigas ou os momentos iluminados
Tal estratégia aproxima o filme de uma tradição pelo sol poente. Esse espaço surge como lugar de
estética que evoca inevitavelmente o cinema de memória e de oclusão, um território que subsiste mais
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