Page 180 - Revista Metropolis nº128
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CASO 137



               TÍTULO ORIGINAL
               Dossier 137
               REALIZAÇÃO
               Dominik Moll
               ELENCO
               Léa Drucker
               Jonathan Turnbull
               Mathilde Roehrich
               ORIGEM
               França
               DURAÇÃO
               115 min.
               ANO
               2025




















            «Dossier 137» («Caso 137»), 2025, de Dominik Moll,   República, falou mesmo de guerra num exercício
            integrou a Selecção Oficial da Competição do Festival   verbal de puro delírio, e pelo facto de a maioria
            de Cannes de 2025 e na mais recente cerimónia dos   esmagadora dos que nelas participaram vestirem um
            prémios da Académie des Arts et Techniques du Cinéma   colete amarelo, as sucessivas manifestações passaram
            recebeu o César para Melhor Actriz, atribuído a Léa   a ser designadas por esse adereço identificador, ou
            Drucker. Distinção merecida, mas o que importa    seja, nasceu então o movimento dos gilets jaunes.
            destacar será antes de mais a coerência deste filme
            na abordagem estrutural de um caso exemplar       Disse atrás que este sobressalto cívico na sua
            (na verdade, num certo sentido da palavra, nada   dimensão e consequências apanhou o poder político
            exemplar) de brutalidade policial infligida a um   numa curva e com alguma incapacidade de promover
            manifestante, entre muitos manifestantes, que a   uma resposta rápida e adequada. Dada a sua natureza
            partir de 2018 saíram para as ruas de França, com   inorgânica (muito dependente da sucessão de
            especial incidência e expressão na capital, Paris, palco   convocatórias através das redes sociais), uma vez
            de confrontos que em alguns momentos apresentaram   no “campo de batalha” e, de um modo geral, por
            contornos de carácter insurrecional.              manifesta falta de medidas de segurança própria e
                                                              organizada permitiu a infiltração de provocadores,
            Estes acontecimentos ficaram marcados por uma     e não será de descartar a hipótese de alguns
            imensa mobilização de massas, mas, apesar da sua   pertencerem ao lado contrário da barricada, por vezes
            exuberância, por uma relativa falta de estratégia ou   a meros núcleos de delinquência que aproveitaram
            coordenação centralizada. Seja como for, o poder   a deixa dos protestos, na sua origem legítimos, para
            viu nestas vagas de contestação um perigo para a   causar distúrbios e proceder a uma série de pilhagens




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