Page 57 - Revista Metropolis nº128
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da realização desta entrevista, de skinheads no Leste, como nos sem um falso sentimentalismo?
num jardim de um dos hotéis de anos 90. É o seu vizinho, pode ser Como é que faço isto como deve
Cannes. o professor dos seus filhos, pode ser feito. Isso é que é difícil. Isso
ser um primo, pode é que me assusta mais do que o
A vergonha do "Quando ser o seu assunto em si. Já fiz coisas mais
passado nazi é próprio perigosas e sobrevivi.
um tema muito estou a filmar não filho.
raro no cinema vejo filmes, só combates Não se A sua obra é muito
alemão. Mas de boxe" sabe. contemporânea e urbana. É
agora temos Está surpreendente a evocação do
a ascensão de muito mundo natural e, sobretudo, o
movimentos nazis, presente. passado.
não só na Alemanha, mas em Fatih Akin: Antes de mais, estava
toda a Europa. Foi um risco, abordar este no argumento. É uma memória
Fatih Akin: Eu faço filmes sobre tema? do meu mentor, Hark Bohm, que
o meu país, que é a Alemanha. Fatih Akin: Quando faço um escreveu isto. São as memórias
Temos 12 milhões de pessoas que filme, não penso se é perigoso dele. Houve uma vaga de filmes
votaram num partido de extrema- ou não. O perigo não é o tema. O em que realizadores fizeram filmes
direita. Doze milhões em oitenta perigo é: como é que faço isto sem sobre a sua infância, «Roma»,
não é apenas um grupo marginal ser kitsch. Como é que faço isto «The Fabelmans», «Belfast». Eu
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