Page 58 - Revista Metropolis nº128
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convenci-o a fazer o filme. aprender. Desde cedo na minha de rodas, numa sala de cinema a
carreira comecei a mudar ver o seu filme feito por mim, a
Como é que fez para o deliberadamente, para aprender. tremer, a chorar, incapaz de falar,
convencer? Interessa-me aprender. As mas a segurar-me a mão e a acenar
Fatih Akin: Disse-lhe: deve fazê- pessoas dizem sempre que cada com a cabeça, isso comoveu-me
lo. Tudo o que me conta sobre os filme é diferente do anterior. profundamente. Se ele não tivesse
seus pais, sobre a sua mãe ter sido Talvez seja um elogio. Mas eu gostado, teria partido o coração
nazi, tem o direito de contar isso. sou muito bom a sabotar a minha dele e o meu.
Ele estava reticente, mas eu disse- própria carreira. Com «O Bar Para si, o filme é sobre a
lhe que tinha algo importante a Luva Dourada» quase consegui. inocência, sobre a preservação
dizer. Pode passar-se no passado, Estou sempre a experimentar da inocência?
mas é sobre o presente. O futuro coisas perigosas. Fatih Akin: O Hark Bohm disse-
é agora. Somos o que somos por me que era sobre sair do paraíso,
causa do passado. O passado Mostrou o filme a Hark Bohm? perder o paraíso. Percebi o que
determina o que fazemos hoje, e Fatih Akin: Sim. Viu duas ele queria dizer. Para ele a ilha é o
o que fazemos hoje cria o futuro. versões. Uma a meio da paraíso. A juventude é o paraíso.
Futuro, passado e presente são a montagem, porque a mulher Ele sempre fez filmes sobre perder
mesma coisa. insistiu muito. Gostou, ficou a inocência, vistos pelos olhos das
comovido, mas eu ainda cortei crianças. Ele faz parte da geração
É um desafio fazer um filme coisas. Depois viu a versão quase de Fassbinder e Wenders, mas foi
tão diferente dos anteriores? final. Estava muito emocionado e sempre considerado ou outsider,
Fatih Akin: Não quero repetir- isso tocou-me muito. Ver aquele porque fez sempre filmes sobre
me. Quero explorar. Quero homem de 86 anos, numa cadeira crianças. Ele próprio adotou seis
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