Page 94 - Revista Metropolis nº128
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O ESTRANGEIRO (2025)




                                                              Baseado no romance do escritor, activista, filósofo fran-
                                                              cês e  pied-noir (designação dos europeus nascidos na
                                                              Argélia) Albert Camus (1913-1960), “L’Étranger” con-
                                                              centra a atenção no percurso atormentado de um mo-
                                                              desto funcionário público numa parcela muito especial
                                                              do Maghreb sob o domínio colonial de França. Numa
                                                              primeira abordagem iremos vê-lo entrar numa prisão
                                                              onde a maioria dos que lá se encontram são árabes. Ple-
                                                              na de força será a opção do realizador e argumentista
                                                              de sublinhar naquele contexto a confissão do protago-
                                                              nista: “Matei um árabe…!” Benjamin Voisin representa
                                                              o jovem Meursault, personagem inserida num percurso
                                                              existencial que parece deslocado de um qualquer eixo
                                                              gravitacional, incapaz de sustentar ou manifestar a sua
                                                              dor (nomeadamente a morte e os rituais associados ao
                                                              funeral da mãe), assim como as mais básicas preocupa-
                                                              ções mundanas. Fotografado a preto e branco (embora
                                                              sinta falta da cor e da luminosidade mediterrânica da
                                                              Argélia e do  Norte de África), o filme acompanha  no
                                                              essencial o original literário. E o que acrescenta (sobre-
                                                              tudo no plano final, onde resvala para o politicamente
                                                              correcto) são pormenores que não comprometem o va-
                                                              lor global e o impacto da sua estrutura dramática.
                                                              joão garção borges
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         ANÇOIS O                                                                                                                                       HÁ FILMES











         FR                                                                                                                                       QUE SÓ AQUI


                                                                                                                                                            Campo Grande 276 (Interior da Universidade Lusófona)
                                                                      REBECCA MARDER, FRANÇOIS OZON, BENJAMIN VOISIN
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