Page 190 - Revista Metropolis nº128
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O TESTAMENTO
               DE ANNE LEE



               TÍTULO ORIGINAL
               The Testament of Ann Lee
               REALIZAÇÃO
               Mona Fastvold
               ELENCO
               Amanda Seyfried
               Lewis Pullman
               Thomasin McKenzie
               ORIGEM
               Reino Unido/ Estados Unidos
               DURAÇÃO
               137 min.
               ANO
               2025




















            Protestantismo e puritanismo fazem parte do       e da renúncia. O filme tenta captar essa dimensão
            ADN do sentimento religioso americano, herdeiro   mística e fundadora, colocando o espectador perante
            direto dos movimentos de reforma trazidos pelos   uma narrativa austera e contemplativa, onde
            primeiros colonos europeus. Estes cultos, não     grande parte do peso dramático recai sobre Amanda
            estando presos a uma hierarquia rígida nem a uma   Seyfried, que se entrega ao papel com notável fervor,
            exegese institucionalizada dos textos sagrados    talento e dedicação.
            cristãos, puderam desenvolver-se de forma
            relativamente livre, alimentados por uma reflexão   Um dos aspetos mais conseguidos da obra, dirigida
            simultaneamente intelectual e pessoal. Por seu    por Mona Fastvold e escrita em parceria com Brady
            turno, o puritanismo de raiz levou a que grande   Corbet, encontra-se na sua linguagem visual. Os
            parte desses movimentos colocasse a questão do    planos são cuidadosamente construídos e revelam
            sexo no centro da sua visão moral e espiritual. É   uma atenção evidente à composição pictórica. Em
            neste contexto histórico e cultural que se inscreve   diversos momentos, os enquadramentos parecem
            «O Testamento de Anne Lee», filme que procura     beber diretamente da tradição da pintura inglesa e
            revisitar a figura da fundadora do movimento      flamenga do século XVIII. A disposição das figuras,
            religioso conhecido como Shakers. Anne Lee, que   a quietude de certas poses e o modo como a luz
            acreditava ser a encarnação feminina de Cristo,   recorta os rostos e os interiores evocam retratos
            tornou-se a personagem central de uma corrente    e cenas domésticas dessa tradição artística. Essa
            espiritual marcada por uma interpretação muito    impressão é reforçada por uma paleta cromática
            particular da abstenção sexual, da vida comunitária   muito particular. Predominam tons castanhos




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