Page 30 - Revista Metropolis nº128
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pacto não escrito: o poder tolerava o vais europeus”. Sob umas direcções era -aprovados? Cláusulas de silêncio?
desconforto em nome da reputação in- acusada de ser demasiado popular. Sob
ternacional e da liberdade artística. Esse outras, demasiado intelectual. Agora é A história recente da Documenta, tam-
pacto começa agora a rachar. “demasiado política”. Talvez o verdadei- bém na Alemanha, mostrou como ra-
ro problema seja outro: a política já não pidamente um evento cultural pode
O argumento é subtil. Ninguém diz “va- aceita ser questionada. entrar em espiral quando a pressão po-
mos censurar”. Diz-se antes: “um festival lítica se sobrepõe à autonomia artística.
não é um palco político”. Ou então: “não Mais de 700 profissionais do cinema A tentação de “organizar o caos” atra-
pode ser instrumentalizado”. A frase soa manifestaram apoio a Tuttle. Acade- vés de cortes administrativos é sempre
equilibrada. Mas, quando usada para mias, distribuidores, realizadores. Não grande. Mas o preço paga-se depois, na
justificar demissões ou pressões institu- é apenas solidariedade corporativa. É credibilidade.
cionais, transforma-se num mecanismo medo. Medo de que se abra um pre-
de controlo. cedente. Se uma directora pode cair Os festivais vivem de confiança. De
por causa de declarações feitas por previsibilidade institucional. De liber-
A ironia é que a Berlinale sempre foi cha- convidados, qual é o próximo passo? dade para errar, provocar, incomodar.
mada “o mais político dos grandes festi- Programações filtradas? Discursos pré- Sem isso tornam-se vitrinas domesti-
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