Page 60 - Revista Metropolis nº128
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quando faz tudo para ter pão história verdadeira. Foi a mulher tinha de ir lá logo. Não quero
com manteiga e mel? do Hark Bohm que me contou a dizer que me apaixonei logo pela
Fatih Akin: O argumento do história. Tinha de a pôr no filme. ilha, mas vi logo a sua beleza.
Hark Bohm tinha 220 páginas O rapaz não pode compreender o Percebi que era um lugar especial,
e era episódico. O episódio do pecado que é o Holocausto. Nós uma outra Alemanha, muito
pão tinha 20 ou 30 páginas. Eu percebemos porque lemos muitos diferente do resto do país. Têm
disse: vamos expandi-lo. Dar-lhe livros sobre o Holocausto e vimos uma língua própria, não é um
mais obstáculos. Torná-lo quase muitos filmes e documentários. dialeto, é mesmo outra língua,
como um videojogo, com níveis, Mas como é que o rapaz naquela falada por 600 pessoas apenas.
desafios. O meu filho passa muito altura o pode compreender? Mas É uma língua que está a morrer.
tempo a jogar. Inspirei-me nisso. pode compreender que a mãe rouba Decidimos usá-la no filme. Todos
uma salsicha. Aí percebe a culpa. os atores tiveram de a aprender. É
E os outros episódios, como uma forma de a preservar.
eram? A geografia e o ambiente da
Fatih Akin: Havia outros ilha influenciaram o filme? Mas a ilha torna-se também
episódios: caça às focas, recuperar Fatih Akin: Nunca lá tinha uma personagem.
madeira do mar e encontrar o estado. Fui pela primeira vez há Fatih Akin: Não queria fazer
cadáver de um soldado britânico. dois anos, quando filmei Hark nada de muito kitsch. Mas a
O episódio da salsicha não Bohm na praia, para a cena final. natureza faz parte do jogo. Como
estava no argumento, mas é uma Ele estava doente e percebi que já disse, este é um filme sobre
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