Page 85 - Revista Metropolis nº128
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SWIMMING POOL (2003)




                                                              Para alguns talvez seja o ensaio antes de «Dentro de
                                                              Casa» (para muitos a obra máxima de Ozon); para ou-
                                                              tros, o expoente alcançado no seu erotismo. A história
                                                              acompanha uma escritora de thrillers (Charlotte Ram-
                                                              pling, a mimetizar aquilo que habitualmente associa-
                                                              mos às artesãs dessa literatura em terra de Sua Majesta-
                                                              de) que, perante um bloqueio criativo, é convidada pelo
                                                              seu editor (Charles Dance) a permanecer alguns dias na
                                                              sua estância francesa, passando a partilhar espaço com
                                                              a filha deste, Ludivine Sagnier (presença recorrente no
                                                              cinema de Ozon), jovem inquieta e lasciva que nada,
                                                              habitualmente nua, na piscina da moradia. Tal como os
                                                              escritos da personagem de Rampling, «Swimming Pool»
                                                              brinca com o género, construindo e desconstruindo
                                                              como um castelo de cartas, criando ilusões entre a ficção
                                                              e a sua matéria metalinguística. Um dos trabalhos mais
                                                              reconhecidos da carreira do realizador. hugo gomes











               5X2: CINCO VEZES DOIS
               (2004)


            Cenas de uma vida conjugal com prazo de validade,
            narradas em cinco momentos organizados por ordem
            decrescente, como se um «Irreversível», só que sem
            traumas nem provocações à la Gaspar Noé, se tratasse.
            Valeria Bruni Tedeschi e Stéphane Freiss são o casal-
            -cobaia desta jornada de desamores, desilusões, con-
            firmações, consolidações e engates com promessas de
            “amor para a vida toda”. Começamos com um divórcio
            e terminamos na primeira faísca do olhar. Um exercí-
            cio de classe (com um pouco de burguesia pelo meio)
            sobre o romance enquanto mero evento natural (nada
            de extraordinário, nada de shakespeariano, nem sequer
            ‘bigger than life’, mundano talvez), com os seus nasci-
            mentos e mortes por diferentes causas. Valeria Bruni
            Tedeschi, atriz que encantaria o coração de Ozon em vá-
            rias obras, é o desempenho destacado desta inevitabili-
            dade: gestos e gazes com mais significado do que muitos
            rodapés académicos. hugo gomes












                                                                                       METROPOLIS MARÇO  2026      85
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