Page 82 - Revista Metropolis nº128
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REGARDE LA MER (1997)
Em «Regarde la mer », Ozon ensaia um minimalismo
inquietante que desmonta a aparente placidez domés-
tica. A câmara fixa, quase clínica, transforma o espaço
íntimo num laboratório de tensões latentes, onde a hos-
pitalidade se converte em jogo de poder. O realizador
recusa a explosão melodramática e prefere a corrosão
lenta, expondo fragilidades da maternidade, da solidão
e da confiança feminina. A encenação depurada intensi-
fica o desconforto: cada silêncio pesa mais do que qual-
quer confronto explícito. Esta média-metragem revela
já a obsessão do realizador por identidades instáveis e
relações assimétricas, propondo um thriller psicológico
seco, em que o terror emerge da banalidade e da proxi-
midade. nuno vaz de moura
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TIV SITCOM (1998)
C A adopção de um rato de laboratório desencadeia a de-
OSPE de classe média alta fazendo estalar a fina epiderme de
generescência moral de uma perfeita família nuclear
respeitabilidade com que escondem os seus impulsos
mais negros. O filme parece se alimentar de uma cer-
RETR ta veia cinematográfica de crítica à “burguesia”, em es-
pecial, às suas hipocrisia e alienação. A introdução de
um elemento disruptivo, que abala a normalidade, que
vimos em «Teorema» (Pasolini, 1968); ou os elementos
ON surrealistas a exacerbar os contrastes, como em «Le
Charme Discret de la Bourgeoisie/ O Charme Discreto
Z da Burguesia» (Buñuel, 1972); ou, ainda, a entrega aos
impulsos sexuais mais desenfreados, como em «Belle de
ANÇOIS O tumes, que torna a viagem mais palatável. Um exemplo
Jour» (Buñuel, 1967); são disso exemplo. Ozon, porém,
acrescenta um tom fársico e colorido, de comédia de cos-
perfeito – como muito da sua obra – de uma “luz do
abismo”. nuno vaz de moura
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