Page 110 - Revista Metropolis nº128
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NEW FRENCH EXTREMISM






                                             Neste novo segmento da METROPOLIS   lama e dela sairemos mais brilhantes.
                                             iremos dar a conhecer (ou relembrar)
                                             algumas pérolas negras da Sétima   Para esta primeira rubrica escolhemos
                                             Arte. Filmes que, pela sua natureza,   não um único filme, mas uma categoria
                                             chocaram, escandalizaram, marca-  a que o iminente historiador de cinema
                                             ram, e sobretudo, ousaram ir onde an-  James Quandt cunhou de “New French
                                             tes  ninguém  se  atrevera  iluminando   Extremism”. Numa crítica publicada na
                                             os lados mais sombrios, os limites da   revista Artforum em 2004*, Quandt uti-
                                             Ética e da Estética, os cantos mais dis-  liza a expressão, de forma pejorativa,
                                             tantes  da  geografia  humana.  Alguns   para  refletir  aquilo  que  via  como  uma
                                             foram reconhecidos pela sua cora-  guinada violenta do cinema francês
                                             gem, outros banidos ou vetados para   contemporâneo que “parecia decidi-
                                             a última prateleira da memória. No   do a quebrar todo e qualquer tabu, a
                                             entanto, é precisamente nesse terri-  atravessar rios de vísceras e espumas
                                             tório incómodo que a arte revela a sua   de esperma, a preencher cada fotogra-
                  NUNO VAZ                   força, transformando aquilo que a so-  ma…” — uma formulação que se tornou
                  DE MOURA                   ciedade prefere ocultar. Como escre-  emblemática desta discussão  crítica. A
                                             veu Baudelaire na obra que dá título à   sua proposta não era simplesmente ta-
                                             rubrica: “Tu deste-me a tua lama e eu   xonómica, mas sim valorativa e retórica
                                             fiz dela ouro.” Mergulhemos então na   sublinhando que que muitos desses


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