Page 111 - Revista Metropolis nº128
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NEW FRENCH EXTREMISM






            filmes combinavam uma sensibilidade   contexto crítico específico e até algo sa-  da França contemporânea (imigração,
            de cinema  arthouse (estética formal,   tírico, o termo tornou-se uma referência   neoliberalismo,  desintegração  do  mo-
            enquadramentos, textura narrativa)   na teoria cinematográfica para discutir   delo republicano); e uma intensificação
            com imagens habitualmente restritas   esse período do cinema francês e as ten-  da tradição francesa de cinema corporal
            a cinema de horror ou  exploitation. Há   dências transversais no cinema extremo   que remonta a Artaud e Bataille. Para
            uma ênfase na provocação — através de   europeu e mundial. A partir da década   Palmer, o extremo não é gratuito: ele
            sexo, violência extrema e representação   seguinte, académicos e críticos usaram-  opera como experiência sensorial limite,
            corporal crua — enquanto gesto inten-  -na como categoria analítica, muitas   procurando envolver o espectador a um
            cionalmente transgressivo, muitas vezes   vezes expandindo ou reinterpretando   nível quase táctil. Esta última ideia será
            sem a mediação crítica ou reflexiva que   aquele grupo de filmes, e discutindo se   desenvolvida pela professora francesa
            se esperaria do cinema de autor tradicio-  constitui um movimento estético, uma   que  desloca o debate para o plano fe-
            nal. Para Quandt, essa “vaga” do cinema   tendência de mercado ou uma forma   nomenológico e sensorial. Para Beug-
            francês não representava apenas um   particular de cinema de corpo. Dois no-  net, o foco está na própria materialidade
            movimento formal, mas sobretudo um   mes são centrais nesse processo: Tim   da imagem mais do que no conteúdo
            sintoma cultural; uma espécie de moda   Palmer e  Martine Beugnet. O académico   violento/sexual. A textura da pele, a
            ou tendência de choque dentro de cír-  inglês reformula a discussão, afastando-  proximidade da câmara, o som corporal
            culos de festivais e crítica que ele via   -se da dimensão moralizante e propon-  amplificado produzem uma “imagem
            com reservas.                    do uma leitura do fenómeno como uma   háptica” (seguindo o conceito de Laura
                                             estética do corpo em crise; uma respos-  Marks).  O choque  deve  ser  entendido
            Pese embora tenha sido cunhado num   ta às transformações socio-políticas   como estratégia de imersão sensorial e
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