Page 183 - Revista Metropolis nº128
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mais básicas linhas vermelhas, inerentes ao contexto   articulado entre o exterior dos gabinetes policiais e
            não só da sua missão como da sua profissão, no    os exteriores de Paris e da sua banlieue, e ainda numa
            fatídico dia 8 de Dezembro de 2018. Para os devidos   área mais pacífica mas não socialmente pacificada da
            efeitos, Stéphanie Bertrand reúne uma série de    França profunda, a comuna de Saint-Dizier. Todos
            pistas e provas gravadas pelas câmaras de vigilância   os locais correspondem de uma maneira ou de outra
            urbana instaladas no local onde se deu o confronto,   ao perímetro de diligências que Stéphanie Bertrand
            para além de materiais obtidos por jornalistas e, por   irá definir para concentrar e sistematizar a atenção
            fim, irá interpelar de forma mais musculada, após   de modo a conseguir apurar a verdade. Nesta última
            saber com segurança quem se ocultava por detrás das   localização, a agente possui relações familiares que
            máscaras usadas pelos membros do BRI, a dupla de   de forma surpreendente irão revelar-se motivo de
            agentes que para dissimularem a verdadeira autoria   preocupação e não de consolação. E, uma vez aqui
            do sucedido respondiam com evasivas destinadas    chegados, proponho deixar aos espectadores do “Caso
            a silenciar os ecos do incidente, sacudindo as    137” a descoberta de um cruel desenlace final. De
            responsabilidades para cima da vítima. Precioso será   facto, a pergunta que então se levanta não anda longe
            um vídeo gravado de uma janela por uma empregada   da compreensão do que vale o esforço de querer fazer
            de hotel, sequência completa do que se passou e que   justiça usando apenas e só os mecanismos legais que
            na prática demonstra, preto no branco, aquilo que   podem e devem ser activados para suster ou impedir
            se começava a adivinhar ser falso nas declarações   as más práticas dos que supostamente deveriam ser
            recolhidas, sobretudo pelos autores dos disparos.   os primeiros a defender o Estado de Direito. Digo-
                                                              vos apenas que a hierarquia policial irá esgrimir
            Na realização de Dominik Moll e na montagem de    argumentos que fazem pensar duas vezes sobre a
            Laurent Rouan encontramos motivos de sobra para,   fragilidade de uma condenação ou de uma absolvição,
            enquanto espectadores, nos sentirmos por dentro   perante a natureza “administrativa” de certos abusos
            das investigações que decorrem num ritmo seguro e   de poder. JOÃO GARÇÃO BORGES





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