Page 182 - Revista Metropolis nº128
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confrontação social usam e por vezes abusam da força que, disparada a curta distância, a bala pode ser letal
que lhes foi atribuída pelo Estado. ou provocar danos graves, mesmo irreversíveis, como
sucedeu na realidade a vários manifestantes e, nesta
No filme, a abertura do Dossier 137 será precisamente ficção, ao rapaz que a má-sorte e alguma ingenuidade
o momento fundador que irá desencadear a arrastaram para o sítio errado, no minuto errado.
investigação sobre uma dessas situações de abuso e
violência, neste caso por parte de membros da BRI Do incidente iremos saber mais pormenores durante
(Brigade de Reserche et d’Intervention). E o que se o inquérito realizado pela IGPN (Inspection Générale
passou, afinal? Um manifestante (o jovem Guillaume de la Police Nationale), a polícia que investiga a
Girard, que a realização nos introduz ao início e logo polícia. E aqui entra em cena a agente Stéphanie
pela manhã, junto com a família, na estrada rumo a Bertrand (Léa Drucker), cuja missão vai ser a de
Paris para ali participar nos protestos) ao princípio da investigar e escrutinar os passos dados pelos seus
noite será apanhado no “fogo cruzado” dos insultos colegas (não deixam de o ser perante a lei) e revelar
e provocações que outros gilets jaunes, sem qualquer não só os rostos como a identidade dos membros do
relação com ele ou o seu companheiro de ocasião, BRI envolvidos. De igual modo, procurará saber as
haviam de algum modo iniciado. Os polícias da força suas motivações e ouvir as explicações que a custo
especial de repressão que, entretanto, passavam no vão dando para justificar um desenlace daquela
local, uma rua mais ou menos deserta não muito gravidade. De forma serena e meticulosa iremos
longe do epicentro das convulsões, os Campos Elísios, assistir aos inquéritos, sem gorduras ficcionais
irão usar as chamadas LBD (Lanceur de Balles de adicionais, que a partir de certa altura incidirão
Défense), igualmente conhecidas por “flash ball”. sobretudo sobre dois agentes que dispararam em
Trata-se de uma arma com um projéctil concebido simultâneo sobre Guillaume Girard, e sem razão
para se deformar quando do impacto, supostamente aparente para invocarem legítima defesa. Tudo indica
para limitar o risco de penetração num corpo vivo. Só que os polícias do BRI ultrapassaram as normas, as
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