Page 187 - Revista Metropolis nº128
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empunhada, camuflado na multidão. qualquer outro evento solene, essa interferência
normaliza-se. Schulman mostra-nos exactamente
E «Eu sou Martin Parr» foca com clareza o seu como é que a interacção entre os dois ocorre.
ponto de vista. Ouve-se, a certa altura, alguém
dizer “ele criou uma forma de ver”. Haverá maior Em relação a isso, não há lugar no filme para
elogio a fazer a um fotógrafo? Pioneiro no acto de pedagogia. O seu tom é de permanente descoberta. E
documentar comida, por exemplo, Parr usaria esses é notável quão comovido está com o que nos mostra.
seus grandes planos para falar de consumismo Sob o sol fraco de New Brighton, que pontua desde
e turismo de massa até ao final da sua vida a logo o filme com uma certa ligeireza, uma qualidade
Dezembro de 2025. Dois anos antes, Shulman escamosa evidenciar-se-á mais tarde à boleia da
aproveitava a altura da coroação do Rei Charles rejeição inicial de Henri Cartier-Bresson em tornar
III para expôr o papel do fotógrafo no meio das Parr membro efectivo da agência Magnum, ou até
celebrações monárquicas. Há uma interferência perante o pedido do próprio a quem sabe que a sua
entre fotógrafo e sujeito anónimo no território fotografia lhe está a ser tirada: “Não sorrias”, diz
partilhado que não sabe que da sua imagem brotará uma e outra vez. Tudo Parr retirou da realidade.
um objecto artístico. Num contexto de férias ou Especialmente a ficção. SUSANA BESSA
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