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O TEMPO QUE RESTA (2005)




                                                              François Ozon, cada vez mais habituado à prolificidade,
                                                              procura ainda um registo próprio; contudo, é nas suas
                                                              “fases” que surge como realizador de verdadeiro inte-
                                                              resse, e «O Tempo que Resta», considerado um dos seus
                                                              trabalhos mais refinados, integra uma espécie de vénia
                                                              ao cinema almodovariano, já pressentida em «8 Mulhe-
                                                              res», aqui com Melvil Poupaud naquele que é frequente-
                                                              mente apontado como um dos seus melhores desempe-
                                                              nhos. A personagem descobre ter um cancro terminal
                                                              cujo tratamento será infrutífero (garante o médico), e
                                                              a decisão final passa por prosseguir com a vida, refle-
                                                              tindo-a, cometendo aquilo que antes não teria come-
                                                              tido, encontrando nos seus desencantamentos a força
                                                              necessária para viver até ao último suspiro. Filme algo
                                                              comiserador, é verdade, mas cuja burguesia instalada,
                                                              de forma surpreendente, o torna sincero, sábio como
                                                              um Pedro Almodóvar “sério” (distante do seu pastiche)
                                                              de um «Fala com Ela», por exemplo. Ozon voltaria a
                                                              repensar a morte e as formas dignas do ponto final da
                                                              existência em «Correu Tudo Bem». Merece ainda esprei-
                                                              tadela Jeanne Moreau, na sua pose de canto do cisne.
                                                              hugo gomes



         A     ANGEL - ENCANTO E
         TIV   SEDUÇÃO (2007)



         C  François Ozon adquire outro rumo na sua carreira com
         OSPE  época, resultado da adaptação do livro de Elizabeth
            a realização de «Angel». Uma sátira melodramática de

            Taylor, sobre a ascensão e queda de uma jovem rapari-
            ga que ambiciona fama e fortuna através da sua escrita.
         RETR  Inspirado nos épicos romanescos dos anos 1930/1940,
            o filme, na sua forma e conteúdo, tenta ser o mais fiel
            a este tipo de cinema. É fundamental para que o regis-
            to funcione nas nossas mentes que nos deixemos levar
         ON   para um universo faz de conta que roça por vezes o ab-
            surdo. O drama anda de mãos dadas com a comédia; a

         Z  catadupa de acontecimentos na vida da protagonista é
            típica destes registos, que mais parece um melodrama
         ANÇOIS O  moralistas ou alguma mensagem, é um épico suave de
            de Bollywood, de tantos infortúnios que acontecem à
            estrela da literatura pimba. O filme não tem pretensões

            François Ozon. Dennis Lenoir, o diretor de fotografia,
            recriou a atmosfera da época  Edwardiana, enquanto
            Pascaline Chavanne, responsável pelo guarda-roupa, e
            Katia Wyszkop, encarregada da cenografia, se destaca-

            nagens. Não é difícil viajar pelo mundo de Ozon e de
         FR  ram na concepção dos aspectos envolventes dos perso-
            «Angel»; aliás, é algo divertido. Se tivermos na memória
            os clássicos do género, o resultado não podia ser mais
            excêntrico. jorge pinto

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