Page 87 - Revista Metropolis nº128
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RICKY (2009)
«Ricky» é o menino dos nossos olhos, é um drama ur-
bano com um inesperado (e fantástico) twist. É igual-
mente uma curiosa observação nas relações afectivas
entre uma mãe solteira de classe operária e a sua filha,
explora os reflexos da dissociação maternal quando esta
é substituída por Paco, um espanhol peludo com nome
de ave rara. Repentinamente surge uma fábula urbana
com o nascimento de Ricky, a luta para manter a sanida-
de do casal vai dar literalmente asas ao bebé, entramos
num universo de fantasia e de uma comédia descarada.
A transformação radical é um simbolismo das fragili-
dades do lar mas também um ímpeto para o reencontro
familiar. Um filme que vive entre o realismo e as asas da
imaginação, dir-se-á que enquanto outros caminham
Ozon voa. jorge pinto
O REFÚGIO (2009)
San Sebastián costuma ser o porto seguro para os filmes
de orçamento reduzido e com longos diálogos de Fran-
çois Ozon, pois é lá que as suas narrativas mignon, mais
intimistas, costumam nascer – e ganhar troféus inespe-
rados. «Le Refuge», que vendeu apenas 114 mil ingres-
sos em França, lucrou em Donostia o Prémio Especial
do Júri. A sua trama é das mais crepusculares da obra
do cineasta. Após a morte de Louis (Melvil Poupaud)
por overdose, a sua namorada, Mousse (Isabelle Carré),
descobre no hospital que está grávida e enfrenta a hosti-
lidade da família do rapaz, que rejeita a ideia de um her-
deiro e tenta forçá-la a interromper a gestação. Meses
depois, a meio de uma luta para se limpar do vício, ela
se isola numa casa à beira-mar, a viver de forma precá-
ria, com o bebé a caminho. A sua solidão é interrompida
pela visita de Paul (Louis-Ronan Choisy), irmão de Lou-
is, que acaba por ficar com ela, depois de desenvolver
uma relação de cumplicidade. O rapaz é gay, mas terá
uma noite de amor com ela, num lance fluido de desejo.
A fotografia de Mathias Raaflaub é um dos pontos de
maior vitalidade da produção. rodrigo fonseca
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