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RICKY (2009)




                                                              «Ricky» é o menino dos nossos olhos, é um drama ur-
                                                              bano com um inesperado (e fantástico) twist. É igual-
                                                              mente uma curiosa observação nas relações afectivas
                                                              entre uma mãe solteira de classe operária e a sua filha,
                                                              explora os reflexos da dissociação maternal quando esta
                                                              é substituída por Paco, um espanhol peludo com nome
                                                              de ave rara. Repentinamente surge uma fábula urbana
                                                              com o nascimento de Ricky, a luta para manter a sanida-
                                                              de do casal vai dar literalmente asas ao bebé, entramos
                                                              num universo de fantasia e de uma comédia descarada.
                                                              A transformação radical é um simbolismo das fragili-
                                                              dades do lar mas também um ímpeto para o reencontro
                                                              familiar. Um filme que vive entre o realismo e as asas da
                                                              imaginação, dir-se-á que enquanto outros caminham
                                                              Ozon voa. jorge pinto
















               O REFÚGIO (2009)



            San Sebastián costuma ser o porto seguro para os filmes
            de orçamento reduzido e com longos diálogos de Fran-
            çois Ozon, pois é lá que as suas narrativas mignon, mais
            intimistas, costumam nascer – e ganhar troféus inespe-
            rados. «Le Refuge», que vendeu apenas 114 mil ingres-
            sos em França, lucrou em Donostia o Prémio Especial
            do Júri. A sua trama é das mais crepusculares da obra
            do cineasta. Após a morte de Louis (Melvil Poupaud)
            por overdose, a sua namorada, Mousse (Isabelle Carré),
            descobre no hospital que está grávida e enfrenta a hosti-
            lidade da família do rapaz, que rejeita a ideia de um her-
            deiro e tenta forçá-la a interromper a gestação. Meses
            depois, a meio de uma luta para se limpar do vício, ela
            se isola numa casa à beira-mar, a viver de forma precá-
            ria, com o bebé a caminho. A sua solidão é interrompida
            pela visita de Paul (Louis-Ronan Choisy), irmão de Lou-
            is, que acaba por ficar com ela, depois de desenvolver
            uma relação de cumplicidade. O rapaz é gay, mas terá
            uma noite de amor com ela, num lance fluido de desejo.
            A fotografia de Mathias Raaflaub é um dos pontos de
            maior vitalidade da produção. rodrigo fonseca







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