Page 89 - Revista Metropolis nº128
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JOVEM E BELA (2013)




                                                              Em «Jovem e Bela», François Ozon faz o que mais gosta:
                                                              provoca e depois afasta-se, deixando-nos a olhar para
                                                              o abismo, boquiabertos. Isabelle, interpretada pela ver-
                                                              dadeiramente bela Marine Vacth, tem 17 anos, família
                                                              estável, casa confortável e decide prostituir-se. Não por
                                                              fome, não por trauma evidente, não por revolta social.
                                                              Por curiosidade. Por poder. Por tédio. Ou talvez por
                                                              nada disso. Ozon divide o filme em estações, como se
                                                              o desejo tivesse calendário. Isabelle salta de hotel em
                                                              hotel com a mesma expressão enigmática: fria, distan-
                                                              te, quase clínica. E é aí que o realizador nos desarma.
                                                              Não há psicologia explicativa, não há passado trágico
                                                              que sirva de desculpa aos prazeres da rapariga. Há um
                                                              vazio que incomoda. Os pais, confortavelmente burgue-
                                                              ses, vivem na bolha até a realidade lhes bater à porta. E
                                                              nós ficamos com a pergunta que Ozon nunca responde:
                                                              quem é, afinal, esta rapariga? «Jovem e Bela» não quer
                                                              moralizar. Quer inquietar. E, sobretudo, chocar. E con-
                                                              segue-o. josé vieira mendes









               UMA NOVA AMIGA (2014)



            A noção de “apreço pela diferença” de Lacan orienta esta
            produção de 8,9 milhões de euros, que estreou no Fes-
            tival de Toronto de 2014 e passou em San Sebastián, na
            sequência, com direito à conquista do prémio queer Se-
            bastiane. O júri comentou: "Ozon questiona os rótulos
            e os papéis da masculinidade e da feminilidade" e o júri
            "aprecia a contribuição deste filme para avançar rumo
            a uma libertação pessoal, que possa reafirmar a identi-
            dade de cada pessoa". O filme foi também apresentado
            nos festivais de Zurique e de Londres. Em França, atraiu
            568.161 espectadores ao circuito. Na sua trama, acom-
            panhamos todas as fases, da infância até a idade adul-
            ta, de amizade entre Claire (Anaïs Demoustier) e Laura
            (Isild Le Besco). Esta última, logo depois de ter um bebé,
            morre. Claire promete cuidar tanto da criança quanto
            do viúvo, David (Romain Duris). Em certo momento,
            tudo muda depois de Claire surpreender-se ao ver Da-
            vid a usar tanto as roupas de Laura quanto a sua ma-
            quilagem. Ele justifica-se dizendo que sempre teve uma
            mulher interior aprisionada pelo matrimónio. É hora da
            liberdade. rodrigo fonseca







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