Page 189 - Revista Metropolis nº128
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argumentistas (Maud Ameline e a própria Pauline actriz Romy Schneider, irá proporcionar um inusitado
Loquès) que faz deste inesperado, desagradável mas, momento de humor num filme onde ele não falta, apesar
sejamos francos, simples acontecimento, um caso sério da densidade patente na sua estrutura dramática.
de impasse que, na minha opinião, compromete a força
e credibilidade, não do que víramos antes, mas do que Na Semana da Crítica de Cannes de 2025, “Nino” ficou
iremos assistir posteriormente. associado ao Prémio Rising Star atribuído ao actor
Théodore Pellerin. Finalmente, para além do já citado
Felizmente, na dispersão emocional que o condiciona, Prémio para Melhor Actor Revelação, «Nino» consta do
Nino irá encontrar personagens que, como ele, não palmarés dos Césars atribuídos em 2026 na categoria
se perfilam enquanto seres de excepção nem se de Melhor Primeira-Obra. E porque assim foi, deixo
sentem muito seguros de si. Antes pelo contrário, a aqui algumas palavras da realizadora: “Eu não queria um
maioria procura uma razão vital para os seus actos no estilo completamente realista, filmado com câmara à mão.
mais vasto quadro social e geracional. São homens, Precisávamos de encontrar uma maneira de estar muito
mulheres, e até uma criança, que assim darão origem a próxima de Nino, mas também de manter alguma distância,
micro-ficções que impelem o protagonista a recentrar para que os espectadores pudessem sentir que ele não estava
os seus valores existenciais: uma amiga que, podemos sozinho nesta cidade (Paris). O que lhe acontece, visto à
adivinhar, tem com Nino uma relação que passa ou distância, é apenas uma história entre muitas outras. Isso
passou por uma certa intimidade e que se despede dele moldou o resto das decisões de filmagem”.
e da França para se instalar em Montreal, no Canadá,
ou uma antiga colega de escola de que Nino já não se Numa apreciação global, podemos dizer na verdade
lembrava mas que no final das contas fará a diferença que «Nino» vive sobretudo da performance dos actores,
face ao restante elenco feminino, para além de amigos protagonista e secundários. De modo claro, eles são
próximos e figuras mais ou menos anónimas. Entre realmente os mais sólidos pilares de uma narrativa que
estas últimas destaca-se pela surpresa uma brevíssima podia e, na minha opinião, devia desenvolver com maior
passagem do actor Mathieu Amalric na pele de amplitude a sua presença, assim como a configuração
um frequentador de balneários públicos que, num das histórias que cada um contou ou deixou por contar.
pormenor genial e com a contribuição da fotografia da JOÃO GARÇÃO BORGES
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