Page 88 - Revista Metropolis nº128
P. 88
POTICHE - MINHA RICA
MULHERZINHA (2010)
Para o espectador que associe François Ozon apenas
a dramas com conotações mais ou menos policiais, ou
ainda a ficções apostadas em rentabilizar os artifícios
do teatro e da música, o mínimo que se pode dizer é que
convém conhecer este «Potiche»... Estamos perante a
adaptação de um texto teatral (“Potiche”, da autoria de
Pierre Barillet e Jean-Pierre Gredy), mas o registo é de
delirante comédia social. No seu centro está a “mulher
decorativa” (“potiche”, de acordo com o sugestivo ter-
mo francês) casada com um industrial de uma pequena
cidade, figura apagada e conformada que, um belo dia,
decide revoltar-se e questionar toda a ordem conjugal e
social em que vive submergida. Para lá do fino humor de
Ozon, a composição da figura central por Catherine De-
neuve é um prodígio de subtil criatividade. joão lopes
A
TIV DENTRO DE CASA (2012)
C Baseado na peça “El Chico de la Última Fila” de Juan
OSPE perversidade e manipulação juvenil. Um jovem de 16
Mayorga, este filme de Ozon é um exercício sobre a
anos (interpretado por Ernst Umhauer à época já com
21 anos) com um distúrbio de personalidade narcísica
RETR escreve um relato, intrusivo e demolidor, da vida de um
colega. Os escritos fascinam um professor (Fabrice Lu-
chini) que o deixa entrar na sua esfera privada. As con-
sequências serão nefastas à medida que o jovem enro-
ON dilha os vários personagens nos seus torcidos jogos. O
realizador maneja a edição de forma magistral, fazendo
Z baralhar as fronteiras entre ficção (o relato do jovem) e
realidade (o que realmente acontece). A normalidade di-
ANÇOIS O
luí-se e o espectador dá por si, sem se aperceber, a fazer
parte do jogo. nuno vaz de moura
FR
88

